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sábado, 14 de junho de 2014

OLHA O BALÃO...






Olha o João
Olha o Joãozinho
Numa ligação
De longo caminho

Olha a Antonieta
Olha a Noetinha
Que não faz gazeta
Da sua vidinha!

"Eu tenho um gaiato aqui dependurado, 
Que é mesmo o retrato do meu namorado
Eu tenho uma gaiata aqui dependurada 
Que tem mesmo a lata, duma namorada"

quarenta e sete
Anos, pois então
Na mesma cassete
Desde a decisão

E pela teimosia
Em juntos sonhar
É com simpatia
 Que os venho saudar


Jaspe, a pedra da boda...


quinta-feira, 12 de junho de 2014

FESTIVIDADES DE SANTO ANTÓNIO DE LISBOA



Como filha adoptiva de Lisboa desde os 17 anos, não quero deixar passar as Festas de Lisboa sem, pelo menos, as referenciar aqui, dando uma ênfase especial às festividades de Santo António, parte essencial.

No dia 13 de Junho, todos os anos se reúnem milhares de pessoas no adro da Igreja de Santo António, para participar na procissão em honra do santo padroeiro da cidade. Durante a tarde, o povo de Lisboa e muitos peregrinos de todo o mundo sobretudo de Itália, Espanha, França, Brasil e África percorrem a pé as freguesias do bairro de Alfama até à Sé de Lisboa


Ao longo do percurso, imagens de outros Santos de capelas do Bairro vão sendo incorporados numa procissão que chega a ter vários quilómetros


Tradições das Festas de Santo António, em Lisboa

Manjericos, versos e quadras, bandeirolas, sardinhas e febras assadas, broa, pimentos, caldo verde, vinho tinto e arraiais populares são os ingredientes mais comuns.



Uma das principais tradições é um evento organizado pela Câmara Municipal de Lisboa que contempla a celebração de 16 casamentos, através do regime religioso ou civil.

Foto de 2014

As festas começam na noite do dia 12 de Junho com as marchas populares, um desfile onde os diferentes bairros de Lisboa disputam a melhor marcha descendo a Avenida da Liberdade e que termina com fogo-de-artifício 




Mas serão algumas particularidades menos populares do Santo que hoje quero destacar.



Santo António de Lisboa (c. 1195-1231), formado em Santa Cruz de Coimbra pela “escola” de S. Teotónio, foi o primeiro Doutor da Igreja da Ordem dos Frades Menores e simboliza no triângulo bem conhecido – teólogo de cátedra, pregador de púlpito e missionário no mundo – o espírito de abertura e de compreensão, que está presente na identificação da nossa cultura.
Segundo Jaime Cortesão, o franciscanismo construiu a mística dos Descobrimentos “eliminando a contradição inibitória que existia entre as necessidades económicas e os postulados da religião”
Papa Francisco deu uma nova projeção ao «Poverello» (espírito de Assis), influente decisivo na construção dessa mesma cultura - O Papa jesuíta explicou aos cardeais que escolheu o nome de Francisco em honra a São Francisco de Assis, e não São Francisco Xavier.
E se nos gerámos nessa convergência rica e singularíssima entre o Atlântico e o Mediterrâneo, não podemos esquecer a simbiose mística cantada por Frei Agostinho da Cruz:
 “Daqui mais saudoso o sol se parte; Daqui muito mais claro e mais dourado. Pelos montes, nascendo, se reparte”.
Do que se tratava era de ligar o “saber de experiências feito” aos sentimentos, numa lírica “repassada de ternura e piedade”, bem explícito em Antero de Quental, Jaime Magalhães de Lima, Camões, Francisco de Portugal, Jerónimo Baía, Francisco Manuel de Melo, Padre António Vieira, Garrett, Herculano, Eça de Queirós, Afonso Lopes Vieira, Teixeira de Pascoaes (“São Francisco de Assis falava outrora, aos animais, às flores, triste e só…”)
E até Fernando pessoa nos fala do Santo em “Prece”( “Senhor, protege-me e ampara-me. Dá-me que eu me sinta teu. Senhor livra-me de mim”…)
Franciscanismo está no nosso código genético ao partir da consideração do primado da pessoa humana, da valorização da hospitalidade e da entreajuda comunitária e do espírito de disponibilidade para o que é diferente.
E, como salientou, Agostinho da Silva, o mundo que o português criou corresponde a uma síntese onde tudo se encontra: o sonho, a descoberta, a aventura, a cordialidade, o desafio, a incerteza, a disponibilidade, o diálogo, a diferença, a natureza… obra de franciscanos, para quem “Cristo era irmão dos humildes; e a Virgem, a Mãe misericordiosa dos homens”.
(síntese extraida dum texto do Dr. Guilherme d’Oliveira Martins)


Padroeiro de Portugal e de Lisboa é também considerado padroeiro dos amputados, dos animais, dos estéreis, barqueiros, idosos, grávidas, pescadores, agricultores, viajantes e marinheiros; dos cavalos e burros; dos pobres e dos oprimidos.

Perto da Sé Patriarcal de Lisboa encontram-se os espaços mais importantes de homenagem - o Museu e a Igreja Antoniana.

Museu
Igreja de Santo António - Altar

Sendo um dos vultos que mais olhares artísticos mundiais reúne com destaque para Portugal, onde nasceu e Itália, onde morreu,o  museu monográfico, dedicado à sua vida e veneração exibe, em exposição permanente, objectos litúrgicos, gravuras, pinturas, cerâmicas e objectos de devoção alusivos.



Presentemente e até 30 de Junho, a "A Arte da Terra", expõe "Santo António, de braço dado com...a Arte". 
Dela fazem parte centenas de obras da autoria de artesãos, escultores e designers - Muitos Antónios numa exposição sobre um único, Santo António de Lisboa: Santo António cozinheiro, de bicicleta, lambreta, ferrari ou nos "lisboetas" meios de transporte, eléctrico, segway, ou go go car.



Para ver a exposição, entrar em "A Arte da Terra", na Rua Augusto Rosa, nº 40, ao lado da Catedral, aberta todos os dias das 11 h ás 20 h


Imagens Google

quarta-feira, 11 de junho de 2014

10 DE JUNHO, DIA DA IDENTIDADE PORTUGUESA





O País, a Nação, as Comunidades, Camões ou simplesmente 10 retalhos de um fragmento de identidade - Maria Cavaco Silva












Luís Vaz de Camões, o maior poeta de língua portuguesa e dos maiores da Humanidade tal como Virgílio, Dante, Cervantes ou Shakespeare, faz hoje 434 anos que morreu.





- E Maria Cavaco Silva deu uma aula de poesia a alunos da licenciatura em Estudos Portugueses da Universidade de Estudos Estrangeiros de Pequim, na passada sexta-feira.
Camões - "o pai da poesia portuguesa" (e também Sophia de Mello Breyner - "a poeta da luz, da água e da beleza"), foram os autores escolhidos para colocar os alunos a recitar versos portugueses.
 A ex-professora universitária tentou dizer algumas palavras em chinês, mas acabou por confessar que já não tinha idade para aprender línguas.
E disse a propósito de um poema de Camões lido por um dos alunos: «todos queremos ser livres».
Falar de liberdade na China pode não ser aconselhável. Muito menos se a frase for dita pela mulher de um Presidente da República - neste caso de Portugal - embora não se tratasse de qualquer intervenção sobre direitos humanos.
Estudar Diplomacia, é necessário... já que não é inata.

Vídeo - See more at: http://vmais.rr.sapo.pt/default.aspx?fil=680425&rdt=1#sthash.XP40ZBfy.dpuf


- “Sou de Centro Esquerda”- foi a posição pública assumida por Maria Cavaco Silva, em entrevista à revista Visão.
A frase provocou sucessivas ondas de choque no Partido Social Democrata cujos dirigentes, deputados e militantes do partido chegaram a duvidar que tivesse saído com grande destaque na capa da revista. Mas saiu mesmo. E falou em levar as duas a tribunal…

Viva a liberdade, ou a estratégia ou a inabilidade.



- A primeira-dama portuguesa, Maria Cavaco Silva, lembrou que a "emigração de portugueses sempre aconteceu, mesmo sem crise", sustentando que o mundo atual "encolheu" e que existem oportunidades em todo o lado.


Mas eles dizem que "tiveram de fugir" porque o país onde nasceram já não lhes dava condições para viverem. A crise gerou uma nova vaga de emigração - só em 2012 saíram mais de 120 mil. E, no dia em que se celebra o país, olham para Portugal com a angústia, a revolta e a saudade que não lhes permite pensar num regresso próximo.


- Maria Cavaco Silva, ex-docente na Universidade Católica, argumentou que "a Educação é o fundamento do desenvolvimento do país" e defendeu que é altura de "sacrifícios".

"Temos que passar para um tempo em que é mais importante sabermos o que somos do que o que temos e a Educação, para mim, tem isso como base".
No final, solicitada pelos jornalistas a comentar sobre se Portugal deveria fazer mais pela divulgação da língua e da cultura portuguesas, a primeira-dama recusou comparações e sublinhou que o importante é trabalhar.
«Estamos sempre obrigados a fazer mais do que aquilo que fazemos, mas em vez de nos martirizarmos com o que ter de fazer mais, vamo-nos consolando com o muito que já se faz comparando com o que se fazia no passado».
Na sua intervenção lembrou que, na Católica,os professores dos anos 70 também limpavam mesas e ajudavam fisicamente a garantir as condições para poderem ensinar.


- O Presidente da República quis que a primeira-dama “ provasse que não é sexo fraco" não deixando Braga de Macedo, director do Instituto de Investigação Científica Tropical (IICT) e seu antigo ministro das Finanças, pegar na pá para ajudar a tapar com terra as raízes da sua Ceiba insignis, uma árvore autóctone da América do Sul.


- Casaco a evitar
Durante a visita oficial de Cavaco Silva à Alemanha, em Março de 2009, depois de as associações de defesa dos animais terem lançado a polémica sobre o casaco de peles da primeira-dama Maria Cavaco Silva, que alegadamente seria verdadeiro, passou a usar apenas um casaco comprido de tecido. 
Destacaram-se comentários como:
“Quantas pobres MARTAS foram mortas para fazer o casaco de Maria Cavaco Silva! Vergonha!”
“O uso de peles provenientes de animais protegidos é considerado uma ofensa, em países evoluídos!


- De visita à Capadócia, sob um sol intenso, numa paisagem quase lunar, o professor trocou a economia pelo “sonho” que era para a mulher,  conhecer a Capadócia - formações geológicas, vestígios de vulcões com mais de dois mil milhões de anos.
Mas, voltando à economia, disse esperar que o turismo se desenvolva. Em ambos os países. Maria Cavaco Silva gostou do que viu. “Excedeu as minhas expectativas” evitando, também ela, pronunciar-se sobre a questão polémica do uso do véu islâmico pela primeira-dama turca
.




- Em entrevista ao Expresso, deixou escapar o que em tempos terá sido uma piada: "Há pessoas que acham que é óptimo que o meu marido vá tratar dos netos."
A frase de Maria Cavaco Silva vai ao encontro de uma das escutas do processo "Face Oculta", o diálogo entre Rui Pedro Soares, ex-administrador da PT e Paulo Penedos, advogado e antigo assessor jurídico da empresa e que gira à volta de uma compra das rádios da Media Capital por Luís Montez, genro de Cavaco Silva, ao mesmo tempo que a PT comprava parte do capital da TVI.”
É o preço da paz", disse Rui Pedro Soares, acrescentando que Cavaco Silva "cala-se logo, fica a cuidar dos netos".



- Cavaco Silva, em Viana do Castelo, para uma mulher de 77 anos, sem reforma e a viver com a do marido:
"Esta é a minha senhora, trabalhou toda a vida e tem de reforma de professora, imagine, 800 euros. Por isso também tenho de trabalhar para ela mas como ela está sempre ao meu lado, e nunca atrás de mim, merece bem que eu trabalhe para ela."



- A primeira-dama não hesitou um segundo para conseguir ser a primeira a receber a hóstia das mãos do indescritivel padre Vítor Melícias, no final da missa de corpo presente de Eusébio.
Esqueceu certamente que o anti-cavaquista padre disse que não hesitaria em abandonar o país caso o marido fosse eleito…


Maria Cavaco Silva tem, sem dúvida, um conjunto de caracteres próprios e exclusivos de uma identidade feita de muitos e diferentes retalhos


Imagens Google


sábado, 31 de maio de 2014

SEM TÍTULO


Tristeza, obra de Ivan Guayasamin

De alma roubada
Hierarquizada
Entre os que calam
E os que mandam,
Pela doença social
Tornada individual
Com direito a razão
Só vê rejeição
Lobbies pra apoiar
Outros pra afundar
De ombros cansados
Em silêncio apoiados
Sitiada na cobiça
Com falta de justiça
Que não vê o mundo
Ficar moribundo
Procura refúgio
Como subterfúgio
Num imaginário
Mutante cenário




“Tristeza não tem fim
Felicidade sim”
.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

O RETORNO À IDADE MÉDIA


-“Can you tell me where my country lies?"
said the unifaun to his true love's eyes.
-"It lies with me!" cried the Queen of Maybe
For her merchandise, he traded in his prize
Genesis, Dancing With The Moonlit Knight, 1973


Unifaun = Junção de Unicorn (unicórnio) com Faun (Fauno, na mitologia romana, o Deus dos campos e dos pastores). Foneticamente, unifaun torna-se um trocadilho com a palavra Uniform (uniforme, farda). O personagem Unifaun representa a velha Inglaterra histórica
É uma canção que crítica a sociedade capitalista inglesa pelo seu modelo económico baseado no consumismo. E adiciona à temática elementos do folclore inglês, referências à história do Rei Arthur e aos Cavaleiros da Távola Redonda.
O unifaun comercializa a mercadoria (leia-se Inglaterra) com ela.
Os membros de uma sociedade capitalista são ironizados ao serem comparados com os atores do Mummers Play.


 Thomas Woodrow Wilson


Tudo começa em 1919, com o Federal Reserve Act assinado pelo Presidente do Estados Unidos T.W. Wilson- a moeda dos EUA é emitida agora pelos privados.
Continua em 1971, com a revogação da convertibilidade da moeda e ouro por o Presidente R. Nixon. Com esta medida o dinheiro já não representa a riqueza dum País, o seu ouro, mas torna-se uma riqueza volátil, retirada das mãos dos cidadãos.


Richard Milhous Nixon

A seguir, faz-se a omissão dos bancos centrais nacionais da Europa em favor dum só banco central, o BCE, privado, que emite moeda própria. 
Como resultado, os cidadãos perderam definitivamente qualquer contacto com o ouro do Estado e são obrigados a utilizar exclusivamente um meio de pagamento privado, sem valor intrínseco.
Entretanto, os bancos, todos privados ou controlados pelos privados, capturam os Estados no mecanismo da dívida pública e conseguem enriquecer cada vez mais.

Os Estados ficaram apenas com um monte de papel. Os bancos com o ouro.
O dinheiro que utilizamos já não é público, é privado; já não é riqueza, é papel.

Os Estados abdicaram do seu papel traindo os próprios cidadãos. Entregaram o ouro e o poder a uns poucos privados. O ouro e o poder andam sempre juntos.

Um Estado que não pode controlar a própria economia já não é um Estado - é uma ilusão de Estado.
Perdida a posse da própria riqueza, morre. Apenas continua a existir a Nação (por enquanto).
Os Estados morreram porque foram vendidos. Logo, nós cidadãos, que somos os Estados, fomos vendidos, com as nossas riquezas e os nossos direitos.
Os partidos, criados e eleitos para tratar dos interesses de todos, traíram a confiança dos próprios eleitores e venderam as vidas dos cidadãos aos bancos privados.
Hoje, os termos Estado, República, Democracia, deixaram de ter sentido e continuam a organizar rituais vazios como as "livres" eleições para criar uma aparência de legalidade a fim de o cidadão não perceber a realidade, para preservar a Grande Mentira - "fomos vendidos em troca de papel".



Os bancos, os megafundos, as dinastias financeiras, querem ser pagos em moeda forte e, portanto, criam uma propaganda na qual estamos constantemente ameaçados pela inflação, mesmo com a economia em colapso diante dos nossos olhos. Evitam que a moeda ganhe valor e criam a depressão.

Tudo gira em torno da superstição de que é o Estado (ou o BCE na Europa) o único que produz dinheiro e que, se ficar sem notas tem como única solução ir buscá-las aos ordenados, reformas e poupanças dos cidadãos.

O comunismo morreu com a queda do muro de Berlim. A social-democracia morreu com esta crise financeira.




Foi nas décadas 80 e 90, quando houve um gigantesco movimento de privatizações maciças de empresas públicas, de desregulamentação e de liberalização, iniciado nos EUA de Reagan e na Inglaterra de Tatcher e que depois se estendeu a muitos países com o apoio do FMI e do Banco Mundial que deixou o Estado fragilizado, submetido ao poder económico, incapaz de promover o desenvolvimento e o crescimento sustentado, conduzindo o mundo à primeira grande crise global. 
Portugal também não escapou àquele movimento e o actual governo parece não ter aprendido nada com essa experiencia pois tenciona continuar a politica de privatização de empresas públicas.
As privatizações têm representado um fabuloso negócio para os grandes grupos económicos, incluindo estrangeiros, e um mau negócio para o Estado que perdeu assim uma importante fonte de receitas para aliviar as dificuldades orçamentais e reduzir o défice orçamental

«A UE, "ao completar quase seis décadas de integração, que leitura podemos retirar da construção do idealizado neo-império europeu?  Fazendo analogia com o Império Romano,  vemos hoje na União Europeia a figura de uma imperador, que detém sozinho o poder centralizador, entre mandos e desmandos, com os demais Estados súbditos a fazerem-lhe a corte e a darem satisfações dos seus actos. Continuando a nossa analogia, vemos com clareza o neo-império dividido em dois grupos: dos cidadãos e dos não cidadãos. O primeiro grupo é composto por classes sociais, segundo a sua riqueza e o seu poder de influência, que lembra o Império Romano com as suas ordens senatorial, equestre e plebeia. O segundo grupo é formado por libertos e por escravos (...)
É oportuno lembrar algumas das razões que enfraqueceram o Império Romano até a sua queda, no Século V d.C.:  a enorme extensão territorial, que dificultava a administração e a defesa; a falta de mão de obra, que levou a forte crise na produção de alimentos; o aumento de conflitos entre as classes senatorial, equestre e plebeia, gerando instabilidade política; o aumento da corrupção no centro do império e nas regiões conquistadas; e a facilidade com que Odoacro se apossou de Roma, mostrando a extrema vulnerabilidade a que havia chegado o Império Romano do Ocidente. Esperemos que a história não se repita, e que os visigodos, os ostrogodos e os vândalos permaneçam nos manuais da antiguidade,  para não regredirmos para a Idade Média ou, quiçá, para a Guerra Fria, se permitirem que o Império Russo, que já foi o terceiro império do mundo, ressuscite. O velho continente não merece tal destino!»
  Elizabeth Accioly, advogada, é professora da Universidade Lusíada de Lisboa e do Centro de Excelência Jean Monnet, da Faculdade de Direito de Lisboa.


Fontes:
Wikipédia e blog Informação incorrecta, entre outras

domingo, 25 de maio de 2014

"BLOWIN IN THE WIND"

Bob Dylan 

"Blowin 'in the Wind" é uma canção escrita por Bob Dylan em 1962 e lançada no seu álbum The Freewheelin' Bob Dylan em 1963. Embora tenha sido descrita como uma canção de protesto, que coloca uma série de perguntas retóricas sobre a paz, a guerra e liberdade, o refrão "A resposta, meu amigo, está soprando no vento" tem sido interpretada [por quem?] como "impenetrável ambíguo: ou a resposta é tão óbvia que está na cara ou é tão intangível como o vento ".

Blowin In The Wind - Peter, Paul & Mary


How many roads must a man walk down
Before you call him a man?
Yes, 'n' how many seas must a white dove sail
Before she sleeps in the sand?
Yes, 'n' how many times must the cannon balls fly
Before they're forever banned?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind.
How many times must a man look up
Before he can see the sky?
Yes, 'n' how many ears must one man have
Before he can hear people cry?
Yes, 'n' how many deaths will it take till he knows
That too many people have died?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind.
How many years can a mountain exist
Before it's washed to the sea?
Yes, 'n' how many years can some people exist
Before they're allowed to be free?
Yes, 'n' how many times can a man turn his head
Pretending he just doesn't see?
The answer, my friend, is blowin' in the wind,
The answer is blowin' in the wind.




Quantas estradas deve um homem percorrer
Antes que lhe chame um homem?
Sim, e quantos mares deve uma pomba branca percorrer
Antes que ela descanse na areia?
Sim, e quantas vezes devem as balas de canhão voar
Antes que elas sejam proibidas para sempre?
A resposta, meu amigo, está soprando no vento,
A resposta está soprando no vento...
Quantas vezes deve um homem olhar pra cima
Antes que ele consiga ver o céu?
Sim, e quantos ouvidos deve um homem ter
Antes que ele consiga ouvir as pessoas chorar?
Sim, e quantas mortes serão necessárias até que ele entenda
Que já morreram demasiadas pessoas ?
A resposta, meu amigo, está soprando no vento,
A resposta está soprando no vento...
Quantos anos consegue uma montanha existir
Antes que seja arrastada [pelas águas] para o mar?
Sim, e quantos anos conseguem algumas pessoas existir
Antes que lhes seja permitido serem livres?
Sim, e quantas vezes consegue um homem virar a cabeça
Fingindo simplesmente que ele não vê?
A resposta, meu amigo, está soprando no vento,
A resposta está soprando no vento...



As almas morrem de fome e estão nuas.

Têm o peso das palavras nunca ditas perante a crise financeira que altera a distribuição das cartas ideológicas e coloca os governos liberais diante das suas contradições.

Acho que o mundo precisava de parar para ser consertado!
Mas quem se importa com o quanto eu me importo?

Como diria Bob Dylan“A resposta, meu amigo, está soprando no vento. “The times are changing…”



sexta-feira, 23 de maio de 2014

PAUSA


O termo pausa deriva do latim pausa “parada” e designa paragem ou interrupção momentânea de um acto.

Pausa para reflexões sobre… a pausa, quase sempre relacionada com “intervalo”. 
O intervalo que repousa, revigora, redireciona, reavalia, harmoniza, reabastece, faz a diferença.

- Quando estou na estrada errada e não sei como sair dela para encontrar o rumo certo, faço uma pausa.  
“Nas mais importantes encruzilhadas da vida, não existe sinalização." Ernest Hemingway





- É, na música, o sinal com que se indicam as interrupções. As pausas são usadas para mostrar períodos de silêncio num compasso.
Muitas vezes as notas não tocadas são as que têm mais importância numa peça musical.
Uma boa orquestra é aquela que executa bem as dinâmicas das pausas e das continuidades. Mesmo no silêncio da pausa a canção continua.
“Assim como há a notação das notas musicais temos também a notação das pausas musicais. Quando se vê um símbolo de pausa na pauta musical, tudo o que devemos fazer é reconhecer o valor desse símbolo e não tocar nada durante as batidas que ele representa”. Academia musical


- É especialmente explorada no teatro do silêncio
“Contribui de forma clara para a construção de um determinado carácter, provoca um efeito dramático específico, sublinha relações entre os vários elementos intervenientes ou cria uma determinada atmosfera, normalmente trágica”.
Conta entre os meios utilizados para comunicar uma determinada informação. Acontece, por exemplo, em Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett: " Oh minha filha, minha filha! (silêncio longo) Desgraçada filha, que ficas órfã!...órfã de pai e de mãe... (pausa) (...) " (Acto III, cena 1, Manuel).


- Faz parte da estrutura e unidade rítmicas e melódicas de qualquer composição poética.
Na lírica, corresponde à interrupção que assinala a conclusão de um período rítmico. Pode ser ligeira, mais ou menos longa ou total, conforme se trate do final do verso, da estrofe ou do poema.





- Em termos narrativos é uma questão temporal que se integra no capítulo dedicado à duração (Gérard Genette 1972).
Constitui uma interrupção no tempo da história, favorecendo o tempo do discurso.
De entre as quatro formas fulcrais do movimento narrativo - elipse, sumário, cena e pausa – a última corresponde à extrema lentidão, que ocorre quando o narrador interrompe o fluir do tempo da história para o intercalar com reflexões ou descrições. E o normal curso do tempo cronológico é retomado onde foi interrompido.


- No romance naturalista, assume um carácter descritivo, visto que se torna necessário traçar um fiel quadro da realidade.
Quando o narrador tem uma postura crítica e faz parar o tempo cronológico com as suas intervenções reflexivas (intrusões do narrador e de digressões), a pausa serve esse veicular de ideologias e de opiniões.
"Bem sei, pois, que é defeito; é, será... mas que adorável defeito! [...] / Em geral, as mulheres parecem ter no cabelo a mesma fé que tinha Sansão: o que nele se ia, em lhos cortando, cuidam elas que se lhes vai, em lhos desanelando? Talvez; eu não estou longe de o crer; canudo inflexível, mulher inflexível. [...] / Enfim, suspendamos, sem o terminar, o exame desta profunda e interessante questão. Fica adiada para um capítulo ad hoc, e voltemos à minha Joaninha." Viagens na Minha Terra, de Almeida Garrett
(Dicionário de Termos Literários de Carlos Ceia)


-A FIFA aprovou pausas para hidratação durante os jogos.
Em causa estão, sobretudo, as partidas agendadas para as 13 h brasileiras. Os árbitros terão instruções para interromper os jogos sempre que a temperatura supere os 32 graus e a taxa de humidade atinja os 85%. Mas o número de paragens será decidido caso a caso.
Estes descontos de tempo serão, essencialmente, pausas para hidratação, num país onde as temperaturas, naquela altura do ano, facilmente passam a barreira dos 30 graus. 



- Constitucional garante que não fez "pausa" à espera das europeias
O presidente do Tribunal Constitucional assegura que não há conclusões sobre as medidas do Orçamento contestadas pela oposição e que podem abrir buraco de mais de mil milhões. Decisão é esperada para meados de Junho.




- “Apenas do silêncio poderá brotar a palavra definitiva, perfeita e limpa         
A palavra final que te dirá tudo de uma vez, de uma só vez, de uma só e irremediável vez
Dessa palavra brotarão outras, ecos, reflexos, imparáveis, povoarão os recantos mais profundos, as terras mais longínquas, as montanhas mais altas
E quedar-se-ão mudas uma vez mais, sopros quietos na solidão universal 
Apenas do silêncio poderá brotar mais silêncio”
Em A pausa e o silêncio



- "Faça pausas breves para se alongar!"
Fazer pausa para um cigarro, café, pequenas conversas e ouvir música, favorece o relaxamento muscular, evita a fadiga e ajuda a retomar posteriormente o trabalho de forma mais enérgica.
Esta é uma das conclusões da tese de mestrado de Alexandra Pereira, revelada pelo jornal i, sobre as estratégias mais utilizadas por pessoas para aumentarem a produtividade em actividades que exigem longos períodos de concentração, muitas horas no local de trabalho, metas ambiciosas e ritmos intensos.

Seja qual for o trabalho, os períodos de pausa são uma parte essencial de rejuvenescimento. A vida torna-se muito menos complicada quando se regressa de férias


- Algumas mulheres optam por tomar a pílula anticoncepcional de forma contínua, sem pausa, outras já fazem uma interrupção.
A hipótese de engravidar poucos dias após a menstruação é maior nas adolescentes porque a ovulação em mulheres muito novas não acontece de forma regular.




- A vírgula tem o sentido de pausa na comunicação que se pretende efectuar. Se estivermos perante um texto normativo e pensarmos que o seu sentido pode ser totalmente alterado, de acordo com a pontuação usada, devemos optar por observar algumas regras básicas neste domínio.
Como em qualquer outro texto, na redacção normativa não se deve escrever uma vírgula entre sujeito e predicado; predicado e respectivos complementos; verbos com tempo verbal composto.


- O Presidente russo garantiu, quando falou pela primeira vez sobre a situação na Crimeia que só usará a força "em último recurso", mas uma intervenção armada "será sempre legítima".
Apesar das ameaças que ficaram a pairar, foi como se Putin, na sua primeira intervenção pública após a fuga do Presidente Viktor Ianukovich de Kiev, tivesse carregado no botão de "pausa" - mas ficou com o dedo no botão, pronto a reiniciar o jogo.

- Algumas vezes, o paciente queixa-se de tonturas e o problema pode estar relacionado com um bloqueio cardíaco! O bloqueio ocorre quando o impulso elétrico não consegue chegar onde deveria chegar e provoca pausas na pulsação cardíaca. As bradicardias graves, se não forem tratadas, podem ser fatais, provocando morte súbita.



- Com o recurso da "pausa coreografada", o desenho permite que as crianças assimilem novos conhecimentos em inglês.



- Manoel de Oliveira aos 100 anos, fazendo uma pausa.


- Juli G. Pausas, cientista no Centro de Investigaciones sobre Desertificación  ( CIDE , Valencia, Espanha) do Consejo Superior de Investigaciones Científicas  ( CSIC , o Conselho Nacional de Pesquisa espanhol).
A pesquisa incide na ecologia do fogo, a regeneração ecologia, atributos funcionais de plantas, evolução de traços de fogo, regeneração pós-fogo, vegetação mediterrânica, a dinâmica da vegetação e modelagem, os padrões de diversidade.
"Um mundo sem incêndios é como uma esfera, sem arredondamento, ou seja, não podemos imaginá-lo" (Pausas & Keeley 2009)  


- E depois de tantas pausas/ intervalos (“espaço entre duas estacas numa paliçada”), pode até surgir uma outra pausa “ao sabor das vagas” e fomentar uma história como a que conta A.
A. teve um colega que se apaixonou por uma advogada do escritório e que, embora tentassem evitar o contacto no local de trabalho, acabavam sempre por almoçar juntos e telefonar-se durante o dia.  As pausas ao longo das horas que passavam no escritório contribuíram para o desenvolvimento do romance.




- Bem, o toque do intervalo para o recreio acaba de soar. Podem saiar e vão lá fazer a vossa pausa.

Imagens Google