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sexta-feira, 5 de julho de 2013

DESÍGNIOS NACIONAIS - 1


CAVACO SILVA E A DEFESA DOS DESÍGNIOS NACIONAIS




Cavaco Silva - 11 Junho 2013

Elvas foi um bastião da defesa de Portugal contra os espanhóis…”

“Nesta hora que Portugal atravessa, Elvas convoca-nos a olharmos para a nossa História e a reconhecermos que os momentos difíceis não são inéditos”, mas, “nas horas decisivas, os portugueses souberam unir-se para defender os grandes desígnios nacionais”.

Desconheço quais os grandes desígnios nacionais a que o Presidente se refere…

Sei que os houve ao longo da nossa História, sim, na defesa determinante de uma Pátria de valores e de território.

Depois da expulsão dos muçulmanos da Península Ibérica ao fim de oito séculos, pelo Processo da Reconquista (Cruzadas, Cavaleiros Templários), Portugal foi um dos primeiros Estados Nacionais a tirar vantagem desse Processo em 1143.

Os ritmos da Reconquista

Reino de Portugal nasce durante a fase da Reconquista - Batalha de
Ourique - e consegue os seus limites muito próximos dos actuais logo em 1168, enquanto a unificação da Espanha se deu de forma gradual (ainda existem movimentos separatistas).




A defesa de Portugal contra os espanhóis, por exemplo, deverá continuar a ser um dos desígnios nacionais, porque Espanha nunca deixou de ter planos para a anexação, como poderemos constatar.

RETROSPECTIVA:


1 - INVASÕES CASTELHANAS


O ataque à independência do novo reino (1.º Estado- nação europeiacomeçou logo em 1249, após ter terminado a Reconquista e a estabilização das fronteiras pelo Tratado de Alcalinizes, por invasão de Dom João de Castela.

- Na sequência da crise da sucessão deixada pela morte de D. Fernando I porque Leonor, a rainha viúva, se tornou regente em nome de Beatriz e João de Castela.

João de Avis pede ajuda aos ingleses e ganha a batalha dos Atoleiros ficando demonstrado que uma força mais pequena mas bem organizada poderia derrotar o invencível exército castelhano.
Os partidários de João de Avis organizaram uma reunião das Cortes em Coimbra e João I é aclamado primeiro Rei da Dinastia de Avis, afirmando a independência de Portugal. Depois, com o Condestável Nuno Álvares Pereira e duzentos homens de armas, alguns sem montadas, vai libertar o Minho em apenas dois meses, graças ao apoio dos povos.



- Após a aclamação, como represália, Dom João de Castela não desiste e as forças castelhanas invadem novamente Portugal, entrando por Almeida. Tomam Trancoso e seguem até Viseu saqueando e queimando os lugares por onde passavam (“vândalos). Obrigadas a combater, perante a ira e a raiva de nobres e populares da Beira que pegaram em armas por sua iniciativa, dá-se a batalha e vitória de Trancoso num planalto, declarado Monumento Nacional.


- Com esta derrota, o rei de Castela resolve avançar novamente para por fim à “rebelião” mas agora com um enorme exército apoiado por forças francesas que vinha preparando desde a derrota no cerco de Lisboa de 1384.



A força portuguesa muito mais coesa, organizada e reforçada pelos ingleses, importantes na segunda fase da batalha, nunca deixa que os castelhanos consigam desarticular as linhas defensivas portuguesas e transforma-se num exército tão difícil de controlar que o próprio Rei de Castela é obrigado a fugir. Durante os dias que se seguiram, milhares de castelhanos, perdidos, longe de casa, foram atacados e mortos pelas populações rurais portuguesas.

Armas reais de 1580 a 1640

As perdas na batalha de Aljubarrota foram de tal forma graves que o Rei de Castela não tentou nova invasão e foi assinado um tratado de amizade com a Inglaterra onde os dois países prometem ajudar-se mutuamente.




Criou-se um mito que se transformou numa lenda com o nome de Padeira de Aljubarrota.










2 - PLANOS da fase final da GUERRA DA RESTAURAÇÃO/ACLAMAÇÃO




O conflito surgiu após a Revolução ocorrida em Lisboa em 1 de Dezembro de 1640, com o Duque de Bragança D. João, descendente de D. Manuel I a ser aclamado Rei, inaugurando a Dinastia de Bragança.




Desde o início, apesar das muitas dificuldades no campo da diplomacia face ao poderio internacional do Império Espanhol encabeçado por Filipe IV, da Dinastia de Habsburgos, o reino de Portugal conseguiu readquirir a independência política.



A longa disputa caracterizou-se por inúmeros combates insignificantes, acções de pequena guerra nas fronteiras e vários cercos e batalhas campais (Montijo, 1644; Linhas de Elvas, 1659; Ameixial, 1663; Castelo Rodrigo, 1664; Montes Claros, 1665).


Numa fase inicial, entre 1641 e 1646 as operações ofensivas foram desencadeadas pelo exército português a partir da província do Alentejo, principal teatro de operações durante toda a guerra. Depois, até 1657, as ameaças militares passaram a ser refreadas por operações que serviam tanto para funções defensivas como ofensivas.

A partir daí, Filipe IV desenvolveu as incursões militares contra Portugal.

A fase final da guerra caracterizou-se pelo crescimento dos efectivos militares envolvidos que acentuaram o desgaste financeiro de ambas as Coroas. As perdas e consequências a médio prazo revelaram-se mais negativas para a Espanha, cujo exército foi severamente batido em Ameixial e Montes Claros.



Em face da perda de Olivença em 1657 (desde o Tratado de Badajoz à Convenção de Viena), a Batalha das Linhas de Elvas teve o mérito de afirmar novamente o poderio militar português, tanto interna como externamente e de ter retomado um percurso de sucessos, que terminariam em 1668 com a assinatura , em Lisboa, do tratado de paz  em que a Espanha reconhece definitivamente a independência de Portugal.

Sistema defensivo das Linhas de Torres e assinatura do Tratado


3 - PLANOS de invasão DA GUERRA NAPOLEÓNICA


Era napoleónica

Após a França fracassar na invasão à Inglaterra, Bonaparte declarou o Bloqueio Continental, pacto que impedia qualquer país de comercializar com os britânicos sob pena de ser atacado pelas tropas francesas.
Portugal recusou cumprir porque era aliado da Inglaterra.


É neste contexto que em 1793, a Espanha declara guerra à França. Portugal alia-se a Espanha e ambos invadem a França.
Mas, em segredo, os espanhóis aliam-se aos franceses e em 1796 negoceiam a partilha de Portugal estabelecendo uma invasão conjunta pelas cláusulas secretas do Tratado de Santo Ildefonso. 


Sob as ordens do ditador Napoleão, os traidores espanhóis prontificam-se a pressionar Portugal para abandonar a sua aliança com a Inglaterra de forma a isolá-la, como pretexto para a invasão.


Em Outubro de 1807, Bonaparte e o rei Carlos IV da Espanha assinaram o Tratado de Fontainebleau, para a primeira invasão francesa de Portugal. 
Pelo Tratado, quando Portugal fosse conquistado, seria dividido para ambos os países e as tropas francesas poderiam passar pela Espanha para atacá-lo por terra




PRIMEIRA INVASÃO FRANCESA -1807

Mapa 1.a Invasão

O exército francês, com o apoio da Espanha, onde tinham tropas estacionadas desde 1801, invade Portugal em 1807, chefiados pelo General Junot ex-embaixador da França em Portugal no ano anterior.

Antes da sua chegada a Lisboa, a família real portuguesa parte para o Brasil, dando ordens para que as tropas invasoras fossem bem recebidas (!!!)

O clero, a nobreza, juízes, oficiais do exército, altos funcionários públicos e os burgueses que ficaram, colaboram com os invasores. 
Junot desmantela o exército português e as estruturas administrativas.

A fuga


Seis meses após o início da ocupação, as classes populares, depois de uma fase inicial de expectativa e desorientação, organizam motins contra os invasores e os colaboracionistas.


Gentes do interior, verdadeiros kamikases

As tropas franco-espanholas são derrotadas na batalha da Roliça, e dois dias depois na batalha de Vimeiro por uma força expedicionária luso-inglesa, chefiadas pelo general Wellesley.


Batalhas do Vimeiro e de Roliça

Junot, para evitar uma enorme derrota, negoceia a retirada de Portugal e os ingleses, em segredo, concedem-lhe tudo o que pede.
Os protestos do general Bernardim Freire foram ignorados pelos generais ingleses mas acabaram por responder em tribunal porque também o governo de Londres não viu com bons olhos a saída de tanto ouro e prata que só ajudaria a financiar os franceses. 

Pela Convenção de Sintra, as tropas franco-espanholas abandonam o País com o produto do saque que tinham efectuado, umas para Espanha, outras em navios ingleses.


A guerra ficou circunscrita às regiões por onde passavam as tropas, onde tudo era destruído.

Os bandos de guerrilheiros e colaboracionistas não desapareceram. 
Mas ninguém foi poupado à perseguição e matança, facto que abalou as estruturas do regime.

Palácio de Queluz, local da Convenção



SEGUNDA INVASÃO FRANCESA - 1809

Mapa 2.a Invasão

Os espanhóis, na Galiza revoltaram-se contra os franceses; tropas luso-inglesas, sob o comando de John Moore, atravessam a fronteira para ajudar os espanhóis.
O exército francês, sob o comando do marechal Soult, aproveita para invadir Portugal pelo Minho, ocupando a cidade do Porto que é martirizada.

Bastante depois, as tropas luso-britânicas sob o comando do General Wellesley , reconquistam a cidade  e expulsam os franceses e espanhóis para a Galiza.



Na  Ponte das Barcas, constituída por vinte barcas ligadas através de cabos de aço, morreram milhares de vítimas quando fugiam às cargas de baioneta das tropas.




TERCEIRA INVASÃO FRANCESA - 1810


Mapa da 3.a Invasão

Em 1810, a França invade de novo Portugal, a fim de esmagar o principal foco de resistência militar na Europa Ocidental. O General Massena à frente de mais de 60 mil soldados, muitos dos quais espanhóis, entra pela fronteira da Beira.


Sistema de defesa das Linhas de Torres e Batalha do Buçaco

É derrotado na batalha do Buçaco, mas consegue avançar para sul na direcção de Lisboa. Chega às linhas de Torres Vedras, onde, perante o sistema de fortificações que havia entretanto aí sido construído por mais de 150 mil camponeses, acaba por se retirar.


Após anos e anos de colaboração com os franceses, lentamente os espanhóis começam a juntar-se às tropas luso-inglesas iniciando um revolta cada vez mais generalizada.

Monumento aos heróis da Guerra Peninsular no Porto e  em Lisboa

TRÊS OU CINCO INVASÕES?

António Pedro Vicente defende que a “Guerra das Laranjas (1801), ainda que levada a cabo por tropas espanholas, foi, na verdade, uma primeira invasão, planeada e apoiada pelos franceses, cujo exército só não interveio por não ter havido necessidade de tal, devido ao rápido colapso das praças alentejanas, sobretudo Olivença e Juromenha”.

António Ventura escreve também que Marmont, já substituindo Massena em 1812, após a mal sucedida terceira invasão, ocupa durante três semanas a faixa de terreno entre a Guarda, Sabugal e Castelo Branco. Ainda que de menor expressão, é uma última incontestável invasão francesa.


A França, em 1813, de invasora passa a invadida, pelo exército luso-inglês, vindo pouco depois a capitular em 1814,  após longos anos de barbárie.

Em Portugal estas invasões, para além das centenas de milhares de mortes que provocaram, tiveram profundas consequências na economia do país, tendo devastado regiões inteiras. 
De norte a sul, ainda hoje se podem ver inúmeros  vestígios da destruição e da pilhagem provocada pelos tropas franco-espanholas. 
Muitos dos objectos roubados em Portugal fazem agora parte de espólios de museus ou de colecções privadas francesas e espanholas.



4 - UMA OPERAÇÃO SECRETA




Cópia do mapa da operação secreta de invasão de Portugal por forças do Exército de Espanha

Representa a continuação do plano de anexação de Afonso III visando  “corrigir os lapsos dos séculos XIV e XVII que tinham permitido a independência a Portugal"


O historiador espanhol Manuel Ros Agudo* revelou recentemente que a Espanha teve um plano para conquistar Portugal no início da Segunda Guerra. A invasão, por terra, ar e mar, contaria com um exército de 250 mil homens e destinava-se a "ocupar Lisboa e o resto da costa portuguesa", com o apoio da Alemanha e da Itália.


O plano foi arquivado e permaneceu em segredo durante 68 anos até ser revelado no livro “La GranTentación”
Há um exemplar do plano no arquivo do Estado-Maior da Defesa e outro no arquivo pessoal de Franco.

No livro, Agudo transcreve uma conversa de Setembro de 1940, em Berlim, na qual o ministro dos Assuntos Exteriores de Espanha, Serrano Súñer, diz ao homólogo alemão, Ribbentrop:  “(…) ninguém pode deixar de se dar conta, ao olhar para o mapa da Europa, que, geograficamente falando, Portugal na realidade, não tinha o direito de existir. Tinha apenas uma justificação moral e política para a sua independência pelo facto dos seus quase 800 anos de existência"

E uma das questões que Franco discutiu com Hitler em Hendaya, em 1940, foi a invasão de um país que o tinha apoiado logisticamente durante a Guerra Civil de 1936-1939, com quem celebrou um Pacto de Amizade e Não-Agressão e cuja tese para o generalato foi exactamente “Um plano de invasão de Portugal”.

Mas quando a guerra começa, Portugal opta pela neutralidade e a Espanha pela não-beligerância.

Hitler, ao não querer hipotecar o colaboracionismo do marechal Pétain, salvou a Espanha de entrar na guerra e, indirectamente, salvou Portugal de ser invadido"

“Outra coisa que fica claramente em causa é a ideia de que ”Franco e Salazar deviam ser unha e carne, só que unha de gato e carne de cão”.
E é bom também não esquecer que é um plano não apenas de Franco, mas mais um da Espanha, apenas mais um, como os acima referidos,  de 1911 e do final do séc. XIX.



Maria José Oliveira - "É igual ao plano de 1936, equivale ao plano de 1911, tem relação com os planos do final do século XIX, com os planos de invasão da era napoleónica, com os planos da fase final da
 guerra da restauração.
escapou a "guerra fantástica" do final do século XVIII






Garcia Pereira - Convirá ter presente dois factos tão simples quanto significativos: por um lado, um dos dois principais eixos desse plano de invasão (Madrid, Badajoz, Elvas, Évora, Setúbal, Lisboa), coincide praticamente com o traçado do TGV defendido por Sócrates...

Por outro lado, ainda hoje, uma das divisões de elite do Exército Espanhol, a célebre Divisão Brunete, sediada a Norte de Madrid, tem por uma das suas missões tácticas ocupar Lisboa em 24 horas!



Este É UM MOTIVO SÉRIO DE REFLEXÃO, em particular quando se pretende à viva força fazer-nos acreditar que os planos anexionistas espanhóis não são uma ameaça a considerar em termos de estratégia militar e política do nosso País

Alguns iberistas portugueses:




Casos isolados há sempre, que justificam a regra, mas o povo, esse contínua, independentemente do regime político, a lutar pela soberania de Portugal.
Em todas as épocas houve quem estivesse do lado de Castela mas o povo, sabiamente, diz que "de Espanha nem bom vento, nem bom casamento".




*Manuel Ros Agudo. "La Gran Tentación: Franco, el Imperio Colonial y los planes de intervención en la Segunda Guerra Mundial" Madrid, Styria, 2008, 414 páginas

domingo, 16 de junho de 2013

FOLHAS



 Folhas de Outono

Candidatas caducas ao melhor tapete de chão, desfilam na passerelle vestidas de vermelho, alaranjado, dourado, cobre e castanho e despedem-se do calor do sol, balanceadas pela brisa suave.
O ambiente propicia o recolhimento, a introspecção, a quietude e a nostalgia.
Ouve-se o barulho dos pássaros pisando folhas secas.





Folhas de Verão 


Em plena maturação, escolhem tons de verde-escuro, tornam as árvores frondosas e cheias, com sombra convidativa e provocadora.

“hand in hand, side by side,
with the summer sky as our guide,
beating hearts keeping time
as our exhalations start to rhyme,
and the heavens all align,
and your body fits with mine,
and the metronome grows faint
as god starts to finger paint;
and the crickets do their dance,
fireflies swirling in a trance,
softly filling up the night
with a thousand beams of light,
your hair tickling my ears –

we are young beyond our years.”

Dollesque





Folhas de Primavera 

Jovens, cheias de vigor, exuberantes, de intensa cor verde-claro, rebentos e brevemente … vestidos bordados de flores.
Há uma primavera em cada vida: é preciso cantá-la assim florida, pois se Deus nos deu voz, foi para cantar! E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada que seja a minha noite uma alvorada, que me saiba perder...para me encontrar...”Florbela Espanca




Folhas de Inverno 

Despem as árvores e, apodrecidas, hibernam geladas em cima da relva, decompondo-se no adubo que serve a Primavera
Folhas mortas, indiferentes ao céu escuro, às nuvens que passam, à chuva que chega, ao vento que as dança em folguedo, aos guarda-chuvas abertos, ao frio que vem para ficar.
Folhas caídas, por turnos, entre árvores e arbustos perenifólios que recusam desnudar-se.

As botas são estrelas; jeans, lenços, casaquinhos e jaquetas fazem o look para espanta-inverno.




Folhas de cálculo, folhas de impressão, folhas de corrida, folhas de partilha, folhas de rosto, folhas soltas... 
Mil-folhas.


Imagens Google

domingo, 9 de junho de 2013

E JUNHO É O MÊS DAS FESTAS POPULARES




(... )
"Quando Lisboa vem cantar prá rua
Para alegrar os nossos corações
Parece que no céu a própria lua
Se debruça a ouvir suas canções
Os bairros da cidade estão em festa
Os santos saem na rua aos seus altares 
E não há noite alegre como esta                                                 
Que é dedicada aos santos populares!"
 Amália 



Após algumas rupturas pelo meio, os festejos dos Santos Populares regressaram a Lisboa a partir de 1925, numa festa em homenagem ao padroeiro da cidade, Santo António.
Em 1932, além das cerimónias litúrgicas, o figurino renova-se no que respeita aos arraiais, ao enfeite de ruas, becos e pátios alfacinhas, «tronos de Santo António» e introdução das Marchas Populares.

1930


E Junho é o mês das Festas.

Concertos, arte de rua, marchas e arraiais populares, desfiles, espectáculos, exposições, oficinas e ateliers, workshops, festivais, artesanato, mostras de cinema, teatro, fado dentro e na rua, sardinhas assadas, manjericos com e sem quadras populares, fogo-de-artifício, bailarico todas as noites, arcos de flores de papel e balões, fogueiras, casamentos, procissões e cerimónias em honra de Santo António, dão cor e alegria à cidade.


As marchas populares, os manjericos, os casamentos de Santo António e as típicas sardinhas assadas são alguns dos símbolos mais queridos dos lisboetas e que também não deixam indiferente quem passa.

A paixão por Santo António alcançou verdadeira fama de santidade ainda durante a vida. Embora se tenha mantido sem interrupções desde o século XIII em Portugal, na Diocese de Pádua e dentro das Ordens Franciscanas, só começou a estender-se a todo o mundo a partir do século XV.
Nasceu em Lisboa, Alfama, entre 1191-1192 e morreu em Itália a 13 de Junho de 1231.


Cerca Moura-Torre de Alfama, do tempo do domínio muçulmano

Depois da canonização, em 1232, os habitantes do bairro, ao saberem que um dos seus vizinhos tinha sido canonizado pelo Papa Gregório IX, "rejubilaram e começaram a chamar-lhe o seu Santo", favorecendo o nascimento de um culto espontâneo, original e livre, a um amigo muito querido.

Alfama

Hoje em dia, o povo conhece minimamente a sua vida e a sua história (mestre, professor, advogado) mas continua a dar mais importância aos relatos de milagres e episódios lendários.
Festeja-se desde o século XVI com danças, cortejos e procissões em que os participantes de todos os bairros da cidade se esforçavam por caprichar nos seus enfeites.

A origem parece estar numa adaptação da Marche Aux Flambeaux” que nasceu em França na Idade Média, relacionada com as “danças de entrudo”; cada bairro, mercado ou local que festejasse o Santo António formava pequenos grupos de marchantes que desfilavam pelas ruas, exibindo-se frente às portas e janelas dos Paços Reais, palácios e casas ricas, orientados por um ensaiador soprando um apito.

Na Casa-Igreja de Santo António festeja-se o dia 13 de Junho com enorme solenidade.


Durante o dia celebram-se várias Missas, desde a manhã até à noite, e em todas elas se benze o pão que os devotos compram depois, cá fora, para o produto da venda ser entregue ao Orfanato antoniano de Caneças.
À tarde, faz-se a procissão com o Santo pelas ruas antigas do Bairro de Alfama adornadas com colchas nas janelas e pétalas de flores lançadas no momento em que passa a imagem.
Ao longo do percurso, imagens de outros Santos de capelas do Bairro vão sendo incorporados numa procissão que chega a ter vários quilómetros.



Na Casa-Igreja, destruída no terramoto de 1755 (excepto a imagem e a cripta), conserva-se o lugar que dizem ter sido o quarto de Santo António. A reconstrução que se seguiu deu lugar à Basílica actual, onde se conserva uma passagem para o quarto do Santo, no piso inferior, através da sacristia.

Apesar de já não existirem casas mouriscas, o bairro conserva um pouco do ambiente, do casbá com as suas ruelas, escadarias e roupa a secar nas janelas.


O momento mais importante da festa civil é a noite do dia 12 com as Marchas Populares, que representam diversos bairros lisboetas.
Cada bairro vai em grupo em direcção ao centro da cidade com as pessoas a cantar e a marchar ao som da música que as acompanha. Os pares levam um pequeno arco de flores de papel com um balão, a imagem de Santo António ou outro motivo.

O grande desfile alegórico das Marchas, organizadas e ensaiadas meses antes por uma colectividade local com o patrocínio da Câmara Municipal, desce a Avenida da Liberdade e junta milhares de espectadores.
A festa acaba com os arraiais montados nos mais típicos bairros de Lisboa, em especial Alfama e Madragoa, onde o centro das celebrações é a sardinha assada e a sangria.


Desde há muitos anos que se tornaram um concurso entre bairros, ganhando o que apresentar a melhor marcha popular, a melhor música e letra da canção, a melhor coreografia e o melhor vestuário.
Este ano as Marchas que constam na lista de participantes são: Infantil, dos Mercados, de Marvila, do Alto do Pina, de Penha de França, do Bairro Alto, da Ajuda, do Lumiar, de Alfama, de Benfica, de Alcântara, de S. Vicente, dos Olivais, de Belém, da Mouraria, da Bica, da Madragoa, da Graça, do Castelo, de Carnide e de Sta. Engrácia.
Todos os grupos têm padrinhos que são pessoas conhecidas do público.


Em 1958 associaram-se aos festejos as «noivas de santo António», por iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa, com mais de uma dezena de casais unidos religiosamente na Sé Patriarcal, numa única cerimónia. A iniciativa foi interrompida em 1973 e retomada em 1997. 
Recebem ofertas do município e de diversas empresas.




Tudo começou por uma ideia do jornal "Diário Popular", que ajudava os mais pobres a fazer uma festa de casamento no dia do Santo. O enxoval e os equipamentos domésticos eram oferecidos por vários comerciantes para promoção dos seus produtos. 


1967

O manjerico veio da Índia, onde era usado como erva aromática sagrada. Tem folhas muito perfumadas e simbologia diferente.
Na Roma antiga era considerada uma erva dos namorados e os italianos do sul, mantendo a tradição, ofereciam um vaso com manjerico á rapariga que queriam pedir em casamento; na Grécia, significa luto; em Portugal é um negócio rentável pelos Santos Populares.


O presidente da junta de freguesia de Pedrouços (Maia), Joaquim Araújo, tira da terra entre “30 mil a 40 mil manjericos” para venda nacional, no mês de Junho. Começa por semear em viveiros, nos fins de Fevereiro. Diz que é muito ”trabalhoso” e “cansativo” mas que, apesar da crise, acredita na venda, cujo preço pode atingir 10 €, consoante o tamanho.
Algumas quadras já saem espetadas nos vasos de barro dos seus manjericos namoradeiros e assegura que “um manjerico com uma boa quadra é meia conquista feita”.


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quarta-feira, 5 de junho de 2013

BISPO PORTUGUÊS, "VENERÁVEL"




"Papa abre caminho para beatificação de bispo português”

Era um dos temas da actualidade no SAPO Portugal Online de hoje.

Completamente surpreendida pela notícia e mais ainda pela nacionalidade do digno prelado, não hesitei em procurar saber quem seria.
E o “segredo”, aberta a caixa de Pandora, nem por isso me deixou muito admirada quando, mais à frente, li:
“Decreto reconhece `as virtudes heróicas´  de D. João de Oliveira Matos (1879-1962), bispo auxiliar da Guarda, que recebe assim o título de `venerável´”.


Aliás, já me tinha referido a ele, muito superficialmente, em 17 de Maio passado, na altura em que recordei o seu grande amigo Dr. Alberto Dinis da Fonseca.
Embora muito remotamente, tenho presente a figura carismática e o trabalho evangelizador que, durante décadas, num período muito difícil, realizou na Diocese da Guarda através da imprensa, de visitas pastorais e da Liga dos Servos de Jesus



D. António Moiteiro Ramos, bispo auxiliar de Braga e vice-postulador da causa de canonização reconhece:

 "A figura deste homem é a de um verdadeiro pastor, dedicado totalmente ao Povo de Deus", destacando o seu trabalho na "renovação do tecido eclesial" e no “comprometimento, em particular, na formação dos leigos”.







Também D. Manuel Felício, actual bispo da Guarda, enaltece algumas virtudes heróicas:

"Este homem era de uma proximidade às pessoas invulgar. Ele gastava o seu tempo por aí, de terra em terra, a falar com todos, a instruir todos, sem ter medo nem do frio, nem da fome, nem do cansaço. Naquela altura não havia carros como hoje, mas ele não estava no paço episcopal - ele andava aí de terra em terra, dormia aqui, comia acolá e quando não havia de comer, não comia."


Foi D. João de Oliveira Matos que criou a Liga dos Servos de Jesus em 1924 e que na passada semana assinalou 50 anos de vida

A ideia de fundar uma obra de Igreja surgiu quando fazia as suas visitas pastorais e conheceu o Dr. José Dinis da Fonseca, desembargador, que vivia na Cerdeira com a casa sempre à disposição dos transeuntes para pernoitarem, a caminho de Coimbra, antes de se dirigirem a Fornos ou a Mangualde a tomar a diligência.
Guarda
Cerdeira

Foi nesta casa com o Desembargador, duas sobrinhas e respectivos bens, que nasceu a obra Liga dos Servos de Jesus e a Escola Regional Dr. José Dinis da Fonseca onde, depois de ter passado por muitas fases, também eu fiz o liceu (ensino secundário).

Irmã Maria Rita Dinis da Fonseca (2ª Directora)

Em 1938, abriu um Colégio masculino no Outeiro de S. Miguel que se tem mantido até hoje.


Ambas as Escolas começaram por ser orientadas por cada uma das sobrinhas, Irmã Maria Cândida e Irmã Palmira, respectivamente.






É, como beneficiária dos valores que me foram transmitidos através de tão relevante iniciativa, que me congratulo com o reconhecimento das virtudes de D. João de Oliveira Matos, pelo Papa Francisco.

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