Quando a gravura "As Vendedeiras de Queijos?“ ou "Figuras Saloias e Burro?" me foi
oferecida, juntamente com outra figura (inacabada) da
autoria de um familiar, “A Lavradeira Minhota”, fiquei com a ideia de que também teriam sido desenhadas pela
mesma pessoa.
E como tal a tenho estimado desde há décadas.
Porém, ao debruçar-me uma vez mais sobre o grande ilustrador
Roque Gameiro, deparei com um dos seus colaboradores na publicação “Ilustração
Portuguesa”, Jorge Barradas, pintor, ceramista, caricaturista, escultor e ilustrador. E, para meu espanto, também com a referida gravura… (entre uma série de outras com o mesmo traço.)
Desfez-se o mal-entendido e descobri “O Barradinhas”, humorista
comentador dos ridículos.
Jorge Nicholson
Moore Barradas nasceu em Lisboa, em 1894, e faleceu em 1971.
Frequentou a Escola
de Belas-Artes mas não concluiu o curso.
Em 1911, Joaquim Guerreiro, director da publicação A
Sátira, introduziu-o no meio artístico lisboeta e em 1912, com 17 anos, estreou-se na primeira exposição do Grupo
dos Humoristas Portugueses, com oito desenhos.
Nuno Simões, o crítico da exposição, viu no seu trabalho “um
futuro artista da elegância e do romance, com alguma ingenuidade e uma clara
tendência para a observação da vida.”
Fez ilustração, desenho humorístico e publicidade até 1924.
Fundou, com Henrique Roldão, o quinzenário O Riso da
Vitória, uma brilhante publicação humorística.
Foi responsável pela direcção artística do semanário ABC
a Rir.
Expôs em Lisboa,
Porto, Vigo, Brasil, S. Tomé, Sevilha, Paris (onde recebeu uma medalha de ouro).
A partir dos anos 30 destacou-se em pintura pela facilidade decorativa (obteve o título de “Malhoa
1930”).
Nas décadas de 40 e 50, dedicou-se à cerâmica e à
azulejaria; em 1949 foi-lhe atribuído o “Prémio Sebastião de Almeida”, do SNI.
Juntamente com Leitão de Barros renovou o gosto nos
cenários de espectáculos populares.
Tinha um “traço original e moderno, cheio de qualidades” patentes
no Diário de Lisboa, no jornal Sempre Fixe e no quinzenário
humorístico O Riso da Vitória, com
os tipos alfacinhas como protagonistas - a varina e o casario, vendedeira de fruta, saloios, o ardina, as lavadeiras, a leiteira e o marujo, o novo-rico, a
burguesinha - ou o rosto feminino em capas de revista.
Decorou, entre outros, o café Portugal (ao Rossio) e A Brasileira (ao
Chiado). Deixou ainda uma enorme colecção de litografias sobre temas populares.
Escultura em
cerâmica, 1959, átrio de entrada, Museu da Cidade, Lisboa
Fonte:
Artigos de
Carla Mendes e de Álvaro Costa de Matos, coordenador da Hemeroteca Municipal de Lisboa e comissário da exposição Jorge Barradas na Colecção
da Hemeroteca – Obra Gráfica