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sábado, 12 de dezembro de 2015

TODOS OS DIAS É NATAL


Todos os dias
nascem nuvens pequeninas,
róseas umas,
aniladas outras,
nacaradas espumas...
Todos os dias
nascem rosas,
também róseas
ou cor de chá, de veludo...
Todos os dias
nascem violetas,
as eleitas
dos pobres corações...
Todos os dias nascem risos,
canções...
Todos os dias
os pássaros acordam
nos seus ninhos de lãs...
Todos os dias
nascem novos dias,
nascem novas manhãs...

Saúl Dias, Essência







 Imagens Google

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

CREPÚSCULO



La Palma 2003
Observatório - "Starparty" no GTC

A uma grande altitude e num amplo horizonte podem observar-se verdadeiros espectáculos da Natureza como o fim do dia. 
Aqui o Sol ainda não estava propriamente a pôr-se, mas sim a desaparecer na camada de nuvens mais baixa. Nota-se o recorte perfeito do disco solar. Momentos a que ninguém pode ficar indiferente, nas palavras do autor.


A escuridão e transparência do Céu são excepcionais não só no topo do Roque de Los Muchachos, como em praticamente toda a ilha de La Palma, graças a um céu protegido por Lei que obriga a que os candeeiros de iluminação pública sejam direccionados para o chão com lâmpadas de sódio da alta pressão."


"A luz era fria e distante. No momento em que o contorno de sua pequena pupila foi se iluminando, como se os olhos da moça e a luz se sobrepusessem, seus olhos se tornaram um vaga-lume misterioso e belo que pairava entre as ondas da penumbra do cair da tarde"
Trecho do livro O País das Neves de Yasunari Kawabata, (1889, 1972), prémio Nobel de Literatura de 1968


O crepúsculo antes do nascer do sol
Hemera Technologies/AbleStock.com/Getty Images

O nascer do sol na praia, ver a luz antes de ver o sol. E à noite, ainda há luz depois de o sol desaparecr no horizonte. O crepúsculo refere-se aos momentos do dia antes e depois do nascer e do pôr-do-sol. 
O crepúsculo náutico difere do civil porque cada termo descreve uma parte de todo esse período.


Um barco de pesca é visto durante o crepúsculo em Mazatlan, no MÉXICO Reuters
http://zip.net/bvh9NW

“No crepúsculo, quando retornam às suas áreas de repouso, os estorninhos - pássaros gregários muito comuns na Europa, presenteiam-nos com com espectáculos de tirar-o-fôlego. Centenas de milhar, reunidos em bandos, desenham no céu formas diversas. Movem-se como se fossem um único corpo. Acreditam os ornitólogos, que o objectivo dessas manifestações é espantar e desorientar os seus predadores, apostando na força da sua quantidade e no jogo de luzes e sombras cujos movimentos mudam continuamente.”


A mesmering murmuration of starlings.

A Bird Ballet é um vídeo realizado pelo director Neels Castillon. Durante as filmagens no campo, arredores da cidade de Marselha, deparou -se com uma incrível revoada de estorninhos (Sturnus vulgaris) que promoviam nos céus uma dança hipnótica.

Barcos, Água, Crepúsculo...


Crepúsculo / existência

Claridade multicolor
Dum sol escondido
Próximo do horizonte
Antes do alvorecer.
Personalidade sem cor
Espreitando em sentido
Nada que a afronte
Ou faça estremecer

Momento de transição
Entre a noite e o dia
Entre o dia e a noite
Da tarde ou da alva
Buscando afirmação
Nova cena recria
Num palco que acoite
Um futuro com salva

Camarim de personagens
Em busca da coragem
Que desfaça a ilusão
Da própria identidade
Permuta de imagens
Ou metáfora em viagem
Transparência, escuridão
De que realidade?


“A Persistência da Memória” de Salvador Dali.



Imagens Google

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

NATALIS


Natalício, o dia em que se nasce
Alegre, festa em louvor do nascimento de Jesus Cristo
Triste, recordação de ilusões de infância
Another year over
Litúrgico - conjunto de elementos ou práticas que, regulamentados por uma igreja ou seita religiosa, fazem parte de um culto religioso.
2 Mil - "Mais de 2.000 agentes investigam atentados cometidos em Paris"
0 (zero) - Coisa nenhuma
1 - Unicismo, o universo explicado por um só tipo de realidade
5 - 5+5+5, não é igual a 15? 

OBSERVADOR, 2/11/2015:


Num teste de matemática nos EUA foi feita uma questão aparentemente simples aos alunos: “Utilize a adição para resolver: 5×3”. Porem, a resposta a este exercício e a respectiva correcção estão a originar um grande debate nas redes sociais.
Tudo porque o aluno do 3.º ano respondeu com a soma: 5+5+5 e o professor responsável marcou a resposta como errada escrevendo a seguinte correcção: 3+3+3+3+3."
A fotografia do teste está a circular globalmente pela Internet


NATALIS...




Imagens Google

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

"HONEY MOON"


Foi em 27 de Junho de 2014 que dediquei um poste às ”Luas” de Miguel Claro com o nome “Lua-de-mel” em Lisboa. 
Apesar da beleza rara, ao contrário de muitos outros, ele não teve um número significativo de visualizações. 


Há dias recebi um email com a foto de uma outra Lua igualmente bela (em baixo), dizendo: “Esta super-Lua está a correr mundo”.


Não consigo ler o nome do autor nem sei quem e como se faz correr mundo. 
Mas anexo aqui de novo “Honey Moon” in Lisbon de Miguel Claro*, a sua
sexta fotografia a ser destacada pela NASA, tirada a 13 de Junho, porque também gosto muito dela.


E mais esta (autor?) 

Parecem ter sido capturadas todas no mesmo dia, embora de locais diferentes.


"Adoro tanto a lua que poderia ser a luz do meu quarto..."
Gabriel Nayan

"Que haverá com a lua que sempre que a gente a olha é com o súbito espanto da primeira vez?"
Mário Quintana

“Entre os mugidos do gado
E o cheiro de capim,
Nasce a lua cheia.” 
Paulo Franchetti


*Astrofotógrafo e astrónomo amador especializado na fotografia de paisagens astronómicas ou “Skyscapes”. As suas imagens têm percorrido o mundo e são publicadas tanto em livros como nas mais prestigiadas revistas internacionais da especialidade. Várias imagens da sua autoria já foram distinguidas pela NASA como Earth Science Picture of the Day e Astronomy Picture of the Day.“Lisbon Sky Lights” venceu o  lugar no International Earth and Sky Photo Contest e foi publicada na National Geographic como uma das “Best Night Sky Pictures of 2011”.

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

FALANDO DE ANTEPASSADOS?



Quando lá por casa se falava em antepassados, origens, apelidos, etc., dum e doutro lado dos meus ascendentes, a conversa tinha tendência a polarizar-se sempre nos FARIA, ramo genealógico da família da Mãe.
E até se compreendia porque, além de serem muitos, concentravam-se quase todos na Beira Alta.
Mas quanto às anteriores gerações do Pai, nunca encontrei nenhuma referência nem nenhum descendente que delas concretamente falasse.

Conheci mal os avós paternos; era ainda muito nova quando eles faleceram. 
Porém, recordo-me de a Mãe dizer numa das conversas acima referidas:
 - A vossa Avó E. RIBEIRO era uma pessoa de uma grande humildade mas descendia de antigos talvez mais ilustres do que os meus. Eram naturais do norte do País e da Galiza, não sei se de antes ou depois do Dom Afonso Henriques. 
O Pai é que sabe contar.

E fiquei por ali, sem que a ideia de perguntar me tenha ocorrido em qualquer outra ocasião.

Isto de ser um bloquista pouco mais que caseiro, acaba por nos levar a desenrolar temas característicos da nossa vida quotidiana, procedências, conhecimentos, vivências.
Mas agora já era...

"Viajar" pela Net é um dos meus passatempos preferidos. E no Google, a informação a um clique de "mouse", como em tempos aqui referi, encontrei (imagine-se!) a História da Família RIBEIRO.

Baseada nos únicos dados de que sou conhecedora, até poderá fazer parte da minha História genética.

Descendente da nobreza ou não, hoje é um dos sete maiores sobremomes latinos e com personagens ilustres que os carregam pela História. 
Há um Brasão Original da Época mas como o sobrenome se espalhou pelo mundo através das navegações portuguesas no século XVI, existem outros Brasões que também não deixam de ser originais


Armas :Esquartelado: o primeiro e o quarto de ouro, com quatro palas de vermelho (Aragão); o segundo e terceiro de negro, com três faixas veiradas de prata e vermelho (Vasconcelos). 
Timbre: Lírios de verde floridos de ouro.

História da Família 
RIBEIRO

"Ilustre e antiga família que procede do Rei D. Fruela II e de sua mulher D. Nunila, por seu filho D. Ramiro privado do Reino por seu primo D. Ramiro II, que o cegou e a seus irmãos, o qual foi pai do Infante D. Ordonho, o Cego, que alguns pretendem fosse filho do Rei D. Ramiro II e de sua mulher D. Teresa ou de D. Ramiro III de Leão e de sua mulher D. Urraca e, ainda, de D. Fruela II, que se lhe dá por avô, e dizem haver casado com D. Cristina. Deste nasceu o Conde D. Ordonho Ordonhes, Conde de Cabreira e Ribeira, senhor de Lemos e Sarria e de muitas terras na Galiza, o qual serviu o Rei D. Fernando, o Magno, nas guerras e casou com D. Urraca Garcia, filha herdeira de Garcia Fernandes, Conde de Garanon e senhor de Aza, e de sua mulher D. Urraca Osório. Foi seu filho D. Garcia Ordonhes, o de Cabreira, assim chamado por um senhor de Cabreira e também o foi de Aza pelos anos de 1040, senhorio este que lhe veio por sua mãe. Foi cavaleiro de valor e um dos maiores senhores do seu tempo. Morreu no ano de 1083. Casou com a Infanta D. Elvira, senhora de Toro, que morreu no ano de 1087, filha do Rei D. Fernando, o Magno, e de sua mulher D. Sancha. Entre os vários filhos de D. Garcia Ordonhes figura o Conde D. Osório de Cabrera, primogénito, natural de Cabreira, que veio povoar Portugal, se bem que há divergências sobre o nome de seu pai, que uns pretendem fosse D. Guterre Osório, o que parece impossível por a tal se opor a cronologia, outros que seria irmão de D. Martim Osório, senhor de Vilalobos, Cabreira e Ribeira e ambos filhos de D. Rodrigo Vela, senhor das mesmas terras e netos do Conde D. Vela Osório, mas a maioria dos autores segue a primeira opinião. D. Osório de Cabrera viveu nos reinados de D. Sancho II e D. Afonso VI de Leão e veio para Portugal com o Conde D. Henrique e aqui povoou muitos lugares. Casou com sua prima D. Sancha Moniz, filha de D. Moninho Fernandes de Touro, filho bastardo do Rei D. Fernando o Magno, avô materno do Conde D. Osório. Seu filho, o Conde D. Moninho Osório, veio com seu pai, foi rico-homem de D. Afonso Henriques e casou com D. Maria Nunes, filha de Nuno Soares, padroeiro do mosteiro de Grijó e de sua mulher D. Urraca Mendes, de quem teve a D. Paio Moniz, rico-homem de D. Sancho I, Rei de Portugal, casado com D. Urraca Nunes de Bragança, filha de D. Nuno Peres de Bragança e de sua mulher, D. Froilhe Sanches. Deste casamento nasceu D. Martim Pais da Ribeira e D. Maria Pais da Ribeira, esta manceba do Rei D. Sancho I e depois de Gomes Lourenço, acabando por ser mulher de D. João Fernandes de Lima, e D. Nuno Pais Ribeiro, padroeiro de Santo André de Serradelo, no concelho de Gaia, onde viveu no tempo do Rei D. Afonso III. Este último recebeu-se com D. Maior Pais Romeu, filha de D. Paio Pires Romeu e de sua mulher, D. Goda Soares da Maia, a qual D. Maior também foi casada com D. Egas Bufo. Provêm do matrimónio de D. Nuno Pais com D. Maior os do apelido de Ribeiro, em que se transformou o de Ribeira, usado na forma nova sem preposição.

São de Manuel de Sousa da Silva, capitão-mor de Santa Cruz de Riba Tâmega, os seguintes versos dedicados a esta linhagem:

Lá em Gaya, Canidello
Foi a casa dos Ribeiros
Esforçados cavaleiros
Que na realidade e zêlo
Sempre foram os primeiros."

As suas armas modernas são:
Esquartelado: o primeiro e o quarto de ouro, com quatro palas de vermelho (Aragão); o segundo e o terceiro de negro, com três faixas veiradas de prata e de vermelho, (Vasconcelos).
Timbre: um lírio de verde, com cinco flores de ouro.



Postado por BLOG DA QUETA  


sábado, 17 de outubro de 2015

"AS VENDEDEIRAS DE QUEIJOS"






Quando a gravura "As Vendedeiras de Queijos?ou "Figuras Saloias e Burro?" me foi oferecida, juntamente com outra figura (inacabada) da autoria de um familiar, “A Lavradeira Minhota”, fiquei com a ideia de que também teriam sido desenhadas pela mesma pessoa.
E como tal a tenho estimado desde há décadas.

Porém, ao debruçar-me uma vez mais sobre o grande ilustrador Roque Gameiro, deparei com um dos seus colaboradores na publicação “Ilustração Portuguesa”, Jorge Barradas, pintor, ceramista, caricaturista, escultor e ilustrador. E, para meu espanto, também com a referida gravura… (entre uma série de outras com o mesmo traço.)

Desfez-se o mal-entendido e descobri “O Barradinhas”, humorista comentador dos ridículos.

Jorge Nicholson Moore Barradas nasceu em Lisboa, em 1894, e faleceu em 1971.
Frequentou a Escola de Belas-Artes mas não concluiu o curso.
Em 1911, Joaquim Guerreiro, director da publicação A Sátira, introduziu-o no meio artístico lisboeta e em 1912, com 17 anos, estreou-se na primeira exposição do Grupo dos Humoristas Portugueses, com oito desenhos.
Nuno Simões, o crítico da exposição, viu no seu trabalho “um futuro artista da elegância e do romance, com alguma ingenuidade e uma clara tendência para a observação da vida.”
Fez ilustração, desenho humorístico e publicidade até 1924.  


Fundou, com Henrique Roldão, o quinzenário O Riso da Vitória, uma brilhante publicação humorística.
Foi responsável pela direcção artística do semanário ABC a Rir.

Expôs em Lisboa, Porto, Vigo, Brasil, S. Tomé, Sevilha, Paris (onde recebeu uma medalha de ouro). 
A partir dos anos 30 destacou-se em pintura pela facilidade decorativa (obteve o título de “Malhoa 1930”).   


Nas décadas de 40 e 50, dedicou-se à cerâmica e à azulejaria; em 1949 foi-lhe atribuído o “Prémio Sebastião de Almeida”, do SNI.


Juntamente com Leitão de Barros renovou o gosto nos cenários de espectáculos populares.  
Tinha um “traço original e moderno, cheio de qualidades” patentes no Diário de Lisboa, no jornal Sempre Fixe e no quinzenário humorístico O Riso da Vitória, com os tipos alfacinhas como protagonistas - a varina e o casario, vendedeira de fruta, saloios, o ardina, as lavadeiras, a leiteira e o marujo, o novo-rico, a burguesinha - ou o rosto feminino em capas de revista.


Decorou, entre outros, o café Portugal (ao Rossio) e A Brasileira (ao Chiado). Deixou ainda uma enorme colecção de litografias sobre temas populares.

Escultura em cerâmica, 1959, átrio de entrada, Museu da Cidade, Lisboa



Fonte:
Artigos de Carla Mendes e de Álvaro Costa de Matos, coordenador da Hemeroteca Municipal de Lisboa e comissário da exposição Jorge Barradas na Colecção da Hemeroteca – Obra Gráfica