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domingo, 27 de novembro de 2016

NASCEU BEATRIZ DA CONCEIÇÃO


Hoje passei em frente ao hotel Tivoli.


E daí? – dirão uns - Passam tantas pessoas...
E daí, digo eu, faz-me recordar sempre a Beatriz Costa. A que dizia de si própria “era, fui e serei sempre uma criança contente"; a “Menina da Franja Embaixadora dos Saloios”, irreverente, expressiva, comunicativa, talentosa, espontânea, popular; a actriz que ainda hoje todos conhecemos quer pelos filmes (a "Princesa do cinema português", como alguém lhe chamou), quer pelo teatro de Revista ou pelos livros que deixou escrito.




E daí? - outros poderão continuar a perguntar – O que tem a ver o hotel Tivoli com Beatriz Costa?


Caricatura de Américo da Silva Amarelhe (Porto/26.12.1892 – 03.04.1946/Lisboa)


A ‘Ti Bi’, como Américo Nunes e António Ferreira (funcionários do hotel desde muito novos) lhe chamavam, vivia ali como hóspede do quarto número 600 desde os anos 50. Segundo eles, “Tomava o pequeno-almoço no quarto e só depois descia e ficava no hall a ler e a escrever. Muitas vezes, jantava no restaurante Zodíaco que actualmente tem o seu nome. Comia muito pouco: uma sopinha; um chá com torradas… e dizia-nos para nas festas provarmos tudo, mas não comermos nada. Vivia aqui porque queria barulho e gente. Gostava muito de conviver e estava sempre a contar anedotas”.
Apadrinhava festas, casamentos e bailaricos.

E foi nas décadas de 70/80 que com ela "partilhei" o bar, o restaurante e o lobby, altura em pude usufruir, como cônjuge, das condições que os Laboratórios ofereciam quando ali organizaram muitas reuniões e congressos para alguns profissionais de saúde.

Bar, restaurante e lobby do hotel, antes das actuais remodelações


Nasceu Beatriz da Conceição, na Charneca do Milharado e faleceu a 15 de Abril de 1996 com 88 anos, no Hotel Tivoli, em Lisboa, onde viveu mais de quatro décadas."
Pediu para ficar sepultada na Malveira - a terra que adoptou como sua - donde podia "ver a serra, o sol e o comboio".

Segundo os empregados acima citados, Carlos do Carmo e Raul Solnado foram os únicos artistas que estiveram presentes... 
Enigmático, não?

Imagens Google

domingo, 13 de novembro de 2016

QUENTES E BOAS, QUENTINHAS!



Em Dia de São Martinho, lume, castanho e vinho!
E faz quarenta e dois anos o "menino" Paulinho.
Haverá um jantar ao som do cavaquinho
E um cardápio com castanhas feitinho.
Cada convidado levará, quando a caminho,
Bebidas, iguarias - sei lá - poucochinho
Pra acrescentar ao que prepara sozinho.

E assim foi, em casa, com ementa feita de surpresas, que o meu amigo aniversariante celebrou o dia de São Martinho.
Por impedimentos vários, não estive lá.
E também não sei ainda qual o sucesso do inesperado. 



Mas o ambiente não terá sido sórdido, com certeza, como o da pintura naturalista de José Malhoa (1855 -1933) em "Festejando o São Martinho”... 


Fantasiando um hipotético repasto, rebuscado em blogs e sites da Internet, resolvi aqui partilhar a ideia com possíveis escolhas por alguns dos vinte e tal privilegiados. 

     Jerupiga
      Licor de castanha de Óbidos

 Adega - Blog Nuestramizade

 Sopa de castanhas - Blog asenhoradomonte
Pato com castanhas -  Restaurante Casa Velha, Coimbra

 Cogumelos, castanhas salteadas com coentros - Blog saboracasa
Lombo de porco assado com castanhas - receitasemenus.net

 Pão com castanhas e salpicão, aromatizado com alecrim- Blog flordesall
Bacalhau com queijo de ovelha e castanhas - Blog Brisa Marítima


Farofa de linhaça e castanha – Bolg vivomaissaudavel 
 Risoto de Castanha, Gengibre & Cogumelos Portoblelo Recheados com Nabiças-Blog Saboresexperienciaseaventuras

 Doce de castanha - Blog reidacolher
 Bolo cremoso de chocolate com banana e castanha - receitasnarede


Cestos de São Martinho - Blog saborintenso   
Mousse de castanhas e chocolate - Blog petiscos


 Biscottis com castanhas -Blog reidacolher
E, sempre, as castanhas assadas - vortexmag.net



"Único exemplo medieval sobrevivente na vila de Óbidos, a Capela de São Martinho é uma das mais atípicas construções góticas existentes no nosso país." Património Cultural - Nota Histórico-Artística


Será que São Martinho alguma vez comeu castanhas? Não encontrei resposta...


terça-feira, 1 de novembro de 2016

31 DE OUTUBRO



Hoje, 31 de Outubro, é o dia das bruxas – das feiticeiras (aquelas que, supostamente, podem evocar forças ou seres sobrenaturais para prejudicar ou causar o mal a alguém ou prever o futuro) e das mulheres feias (por extensão).
Dicionário Online de Português.

“É o dia de pregar sustos e de brincar com os nossos medos; dos filmes que nos fazem dar saltos na cadeira, de tapar os olhos para não ver o que se passa na tela, dos que tiram o sono, dos que provocam medo de andar no escuro na nossa própria casa, dos típicos filmes de Halloween.
(DN).

São exemplos:
Repulsa (Roman Polanski, 1965), escolhido por João Lopes, crítico de cinema; Rosemary's Baby (Polanski 1968), seleccionado por José Ramos, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa ou The Shining (Stanley Kubrick, 1980), indicado por Rui Pedro Tendinha, também crítico de cinema.

Sobre este último, diz o comentador que “o cineasta norte-americano provou que o que nos assusta mais é o mal que está dentro de nós. Um lado negro que suplanta fantasmas, monstros ou vampiros. Depois de ser atacado por aquele Jack Nicholson possuído, nunca mais fiquei o mesmo. Um corredor largo de hotel já não é só um corredor largo de um hotel. Um par de meninas gémeas nunca mais é só um par de meninas gémeas. Kubrick era tão genial que mudou o paradigma do filme que causa pesadelos. Pois, a verdade é que há pesadelos com requintes...”.


Eu, que também vi o filme, apesar de não ser um alvo fácil de impressões emocionais, ainda tenho presente a expressão de Jack Nicholson quando vociferava “Heeeere’s Johnny!” Pode considerar-se um clássico típico eterno. 



Stanley Hotel que inspirou Stephen King a escrever "O Iluminado", é oficialmente apontado como um dos hotéis mais assombrados dos Estados Unidos


A celebração tem duas origens que se foram confundindo ao longo da História Originalmente, não tinha relação com bruxas. Era um festival do calendário celta da Irlanda, o festival de Samhain, ("fim do Verão") celebrado entre 30 de Outubro e 2 de Novembro e que marcava exactamente o fim do verão.
O primeiro registo do termo "Halloween" é de cerca de 1750 - contracção do termo escocês All Hallows' Eve, que significa véspera do Dia de Todos os Santos, data comemorativa do calendário cristão.
Wikipédia
A festa dos mortos era “uma das suas datas mais importantes, pois celebrava o que para os cristãos seria ”o céu e a terra” (conceitos posteriores do cristianismo)”. Para os celtas, o lugar dos mortos era um lugar de felicidade perfeita, onde não haveria fome nem dor. As festas eram presididas pelos sacerdotes druida, que actuavam como "médium" entre as pessoas e os seus antepassados. Dizia-se também que os espíritos dos mortos voltavam nessa data para visitar os antigos lares e guiar os familiares rumo ao outro mundo.
Mas como os vivos não queriam ser arrebatados, na noite do dia 31 de Outubro, apagavam as tochas e as fogueiras das casas para as tornarem frias e desagradáveis, colocavam fantasias e desfilavam ruidosamente à volta do bairro, destruindo o mais possível, a fim de assustar os que procuravam corpos para possuir. 
Panati. 

Actualmente, o Halloween é mais uma tradição de cunho comercial. No dia 31 de Outubro as crianças saem para as ruas vestidas com fantasias, batendo na porta das casas, e dizendo a frase tradicional: “travessuras ou gostosuras”, para obterem doces. Entre os adultos, é comum decorar as casas e trocar presentes.

O Halloween foi difundido pelo mundo pelo cinema americano e é uma celebração que nada tem a ver com a cultura portuguesa. 

Quem o diz é Dom Nuno Brás, Bispo auxiliar de Lisboa: “são os professores nas escolas e jardins de infância que incentivam a celebração de uma festa que nada tem a ver com a nossa tradição cultural. A mim escandaliza-me um bocado que as próprias escolas católicas, ou que se dizem católicas, promovam estas festas"
Também para o juiz Pedro Vaz Patto, "é mais um exemplo da uniformização cultural que acaba por ser a americanização do mundo, uma influência que deve preocupar-nos porque a forma como no Halloween se encara a morte constitui até um empobrecimento em relação à nossa tradição cristã: há aqui um empobrecimento do ponto de vista espiritual, cultural, da festa de Todos-os-Santos, que é no fundo a festa da ressurreição, há aquela dimensão de esperança do cristianismo que se perde".
Até para os antropólogos, a cultura norte-americana está cada vez mais presente na vida dos brasileiros e outros, provocando um choque cultural. "É preciso estar atento aos exageros das chamadas trocas culturais", lembra.

Cores e alguns símbolos do Halloween:


Laranja, Preto, Roxo 

Abóbora, Vela, Caldeirão,Vassoura, Moedas, Bilhetes, Aranha, Morcegos, Sapo,Gato Preto...

Festejando o dia das Bruxas



Site de Imagens do dia 31 de outubro de 2016 - fotos em Mundopois nem só por acontecimentos de bruxedo se destacou.


Imagens Google e informação Internet

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

MEADOS DE AGÔSTO 2016


Dois dias tem sido, geralmente, o espaço de tempo de que tenho disposto para sair da costumeira habitual. Contingências...

Assim, quando o destino se chama Cerdeira, converter um deles num itinerário ligeiramente vagabundo é, também, uma prática.
Desta vez Viseu, Peso da Régua, Chaves, Vila Real,foi a opção.

- Que tempo bom para viajar! As nuvens escondem o sol.

- Cá está Viseu, a cidade do mítico Viriato, conhecida pela paisagem envolvente, pela História medieval e também, cada vez mais, pelo comércio e indústria da região
Almoçamos no novo Shopping Center Palácio do Gelo - dizem que é uma das melhores “Shopping and Leisure Experiences” do país - e depois, num relance, "damos um giro" pelas principais ruas da cidade que nunca se cansam de mostrar o valioso património milenar, e pelos imensos jardins floridos. 



- É mesmo! Espaços amplos para circular, óptimas zonas de descanso, lojas com marcas e mais marcas, um hipermercado enorme, imenso entretenimento, seis salas de cinema equipadas com material digital de última geração, uma pista de gelo, o Bar de Gelo (único em Portugal), acesso gratuito à Internet  wireless, uma Praça de Restauração, terraços panorâmicos com vista para as Serras da Estrela/Caramulo, espanhóis e "franceses" q.b.!

- Temos que voltar para explorar este "pequeno-grande mundo".

- Igreja da Misericórdia
- Museu Grão Vasco, Fachada da Sé de Viseu e um Pelourinho secular 
- Fonte barroca das três bicas
- Praça da República, com o edifício da Câmara Municipal. Actualmente é palco de eventos e actividades ao longo do ano.

 Porta do Soar

Os poucos vestígios que restam das muralhas são secções isoladas e destituídas de ligações entre si.A Porta do Soar ou de São Francisco é o principal elemento remanescente e foi o eixo fundamental de circulação da cidade. Tem a epígrafe que data a construção do reinado de Dom Afonso V e um brasão com as armas nacionais. A antiga estrutura defensiva da cidade foi constantemente adulterada em benefício da ampliação de espaços civis. 
Anexa à porta, está uma interessante casa civil barroca, o Solar dos Melos.

Lamego, uma cidade pequena, com muitos edifícios elegantes e ricos, provenientes do comércio de Vinho do Porto durante o Séc. XVIII, poderia ser outro local de paragem mas o centro da região demarcada do Douro, conhecida como a capital internacional do vinho e da vinha, Peso da Régua (ou só Régua), foi mais votada entre os viajantes.



Em Peso da Régua há muitas casas senhoriais, pequenos palacetes, grandes quintas rurais de “senhores do vinho”, Igrejas e Capelas ou o Museu do Douro, como riqueza patrimonialMas o objectivo da nossa "excursão" consistia apenas em deambular despretensiosamente e registar as lindas paisagens do rio Douro, terraços de vinhedos, oliveiras, as pontes...



As paisagens naturais da região são belíssimas e especiais (o Alto Douro está classificado pela UNESCO como Património da Humanidade), quando vistas quer do próprio Rio Douro quer dos vários miradouros da zona.
Muitos dos Cruzeiros que atravessam o rio partem do seu cais fluvial.
Era também de Peso da Régua que se aventuravam a sair os típicos barcos rabelos de madeira transportando barris de vinho até Vila Nova de Gaia, a fim de envelhecer nas caves. 
A construção dos armazéns da Real Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro (criada  em 1756  pelo Marquês de Pombal), fomentou o desenvolvimento das primeiras “feiras dos vinhos” e contribuiu para a abertura de vários estabelecimentos comerciais, hospedarias, casas de jogo, que fizeram progredir a localidade.

São três as pontes que atravessam o Douro na Régua - uma ferroviária (1872), outra rodoviária (1932) e outra de construção mais recente.


A ponte metálica não só veio aumentar o estatuto de centralidade da Régua como passou a ser um excelente miradouro. 
Devido ao estado de degradação do tabuleiro em madeira, esteve desactivada em 1949 e reabilitada em 2012 só para passeios pedonais e de bicicleta. Foi electrificada para permitir a instalação de iluminação decorativa mas manteve as características originais (pavimento em madeira e pavimento em granito, nos acessos). É uma típica ponte do século XIX que faz parte da chamada “arquitectura do ferro”.

Ponte Ferroviária da Régua, conhecida por Ponte da Régua, foi construída no âmbito 
da Linha de Lamego, mas como o projecto não chegou a concluir-se, passou a ser usada para transporte rodoviário. A sua construção em alvenaria fez com que se tivesse destacado entre as pontes da época, normalmente construídas em ferro. 


A ponte Miguel Torga atravessa o vale do rio Douro a 90 metros de altura numa zona muito acidentada, junto à Régua. Cruza a linha-férrea do Douro e duas estradas nacionais. Tem um comprimento total de 900 metros (!) com uma plataforma de 26 metros de largura, constituída por um tabuleiro único contínuo. Concluída em 1997, recebeu o Prémio de Engenharia da I Bienal Ibero-Americana de Engenharia e Arquitectura, pela sua inovação e dificuldade tecnológica. Faz parte da A 24 Chaves/Viseu.



Ainda com uma temperatura amenizada pelo céu encoberto, vinhedos e laranjeiras (?) a perder de vista, regressamos à estrada em direcção a Chaves.



Situada junto à saída da A 24, uma imensa área verdejante desperta a curiosidade.
Com vista para a cidade e para a montanha, num ambiente invulgar em tranquilidade, rodeado de um viçoso verdor, o Casino de Chaves, com piscina exterior e esplanadas, domina, sem obstáculos, um panorama invejável.



Junto ao rio Tâmega e a fazer fronteira com Espanha, Chaves, a que os Romanos chamaram “Aquae Flaviae” (o nome do imperador Flávio Vespasiano), seria a próxima paragem.
Em “rodado” apressado, foram revistados os locais de referência turísticos mais habituais:
A torre e um troço da muralha (vestígios do castelo que existiu), a Igreja Matriz de raiz medieval junto da Praça da República, a igreja da Misericórdia na Praça Caetano Ferreira, o Pelourinho na Praça da República erigido no reinado de D. Manuel (com as armas do reino e o brasão de Chaves no capitel e a esfera armilar no topo) e a ponte Romana de Trajano com 12 arcos (no tabuleiro sobre o rio Tâmega existem dois marcos cilíndricos - um que comemora a construção da ponte e outro, o Padrão dos Povos, que dá a conhecer o nome dos 10 povos indígenas da época).



- Já me apetecia comer qualquer coisa. Mais concretamente, umas torradas bem amanteigadas.
- Bem lembrado. Deve haver por aqui (Praça da República) um café com uma boa esplanada...
Porem, depois de algumas “espreitadelas” para o interior dos estabelecimentos, nada convidava a ficar – ambientes tristonhos, sujos, desconfortáveis.
- Talvez as torradas sejam boas...

Não direi que foram as piores, mas a limonada, foi com certeza.

Sem dúvida que os pastéis e o presunto de Chaves, o folar de carne, o cabrito, a vitela, o porco bísaro, o cozido ou a feijoada à transmontana, os milhos à romana e as trutas recheadas com o presunto seriam as iguarias acertadas, mas mais nada é comestível?

A Vortexmag fez uma lista das mais bonitas cidades de Portugal (entre as menos conhecidas), e classificou Chaves em 2 º lugar.
Direi que a história de Chaves se reflecte no seu pitoresco centro histórico - com casas rústicas de cores vivas, comércio tradicional - e que merece uma visita, mas ainda lhe faltam muitas estruturas básicas para cativar.


Algures, a caminho de Vila Real

A noite aproximava-se. 



De regresso a casaum registo da já descrita Albufeira /barragem do Pocinho e ponte metálica rodo ferroviária ( 17 de Setembro de 2015).