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quinta-feira, 16 de março de 2017

INFERÊNCIA




E o sol cai
Pró poente
Indiferente
Sem um ai

E a vida é
Um conflito
Bem finito
Em maré

E o desdém
Sobranceiro
É certeiro
Pra quem?



quarta-feira, 15 de março de 2017

TEM ESPORAS E NÃO É CAVALEIRO



A estrada deserta, ladeada de uma beleza austera e fascinante, é só nossa. Há um silêncio no ar, interrompido apenas pelo barulho das rodas do carro.
Em frente, onde o céu parece tocar a terra, o largo horizonte rendilhado por pequenas elevações e copas de pinheiros, escondia um pinhal ancestral. Porque pode até já nem ter pinheiros - os incêndios, os “desvios”, as muitas lareiras da aldeia ...


O horizonte estende-se até onde alcança o olhar, símbolo do indefinido, do mistério, do mundo a descobrir, objecto de luz das lentes da máquina fotográfica.

Clic!



Bem lá no alto, antes de chegar ao habitual reduto cerdeirense, vê-se a antiga freguesia da Miuzela, local de gente que pertencia/era da grande tribo dos zoelas ou zelas do norte de Portugal e de Espanha.
Tem mercado mensal no 2.º Sábado de cada mês. Espero encontrar por lá um cesto em verga para lenha.



O relógio da torre faz soar as cinco da tarde. Abro a porta da varanda e sento-me num pequeno banco a desfrutar um inesperado calor solar. 
Houve um tempo em que achei aquele espaço suficientemente grande para fazer os “trabalhos de casa” da 3.ª classe, ao lado da prima M. !

- Olá, D. Tresinha. Então está por cá?
- É. De vez em quando venho arejar a casa (e as ideias). Novidades?
- Nenhumas. Crianças não nascem mais e os velhos, como vão morrendo, são poucos. Lembra-se da Sra M. E., ali do canto? E da Dra L. N.?
- Lembro-me muito bem. O que lhes aconteceu?
- Já as levaram para um Lar. É assim…
Até logo. Já cá volto. Vou ali fechar a nossa casa (Igreja).

E por momentos o eco do silêncio passou a preencher um vazio tranquilo.

CururuCururu

É um canto alegre!

"À meia-noite se levanta o francês,
sabe das horas e não sabe do mês,
tem esporas e não é cavaleiro,
tem serra e não é carpinteiro,
tem picão e não é pedreiro,
cava no chão e não acha dinheiro."





Porque canta o galo?
Porque canta a esta hora?
Porque canta sempre ao amanhecer?

Segundo um estudo, realizado por Tsuyoshi Shimmura e Takashi Yoshimura, da Universidade de Nagóia, publicado na revista americana "Current Biology", o canto do galo ao amanhecer "é controlado pelo ritmo circadiano" (uma espécie de relógio biológico). Regula a actividade de cada um dos galos segundo um ritmo próprio e define ainda quando é o momento oportuno para cantar.

Continuando a seguir a investigação ,Tsuyoshi Shimmura explica:
"A vocalização inata é comum à maior parte dos animais e cada espécie vocaliza de forma diferente. Essa  característica é regulada por um gene, cujo mecanismo se desconhece ainda. A equipa usou o canto do galo como modelo, por ter uma forma de vocalização inata" .
“Quando se juntam galos que não se conhecem, começam uma luta entre si”. “Depois de serem identificados os mais fortes, o combate diminui, continuando por vezes os melhor posicionados na hierarquia a provocar os outros com bicadas.”

Um novo estudo publicado na revista Scientific Reports mostra que o ciclo circadiano, diferente para cada galo, é submetido à hierarquia social e depende sempre do ritmo do galo líder - é ele que marca o passo do coro de vozes que se lhe seguem.
“Se o galo no topo da hierarquia for retirado do grupo, o que está em segundo lugar comporta-se como se fosse o primeiro”.

“Pensa-se que o canto do galo é também um modo de demarcação de território”. “Na experiência verificou-se que quando um galo era mantido sozinho, a frequência do canto ia decrescendo gradualmente até que deixava finalmente de cantar.”


               

Os investigadores japoneses verificaram ainda que os galos subordinados apresentavam uma frequência de canto voluntário inferior à dos dominantes, mas mudou quando se aplicaram estímulos externos. O efeito de estímulos luminosos e sonoros (o canto de outros galos) alterou o comportamento dos subordinados, que passaram a cantar como os seus superiores na hierarquia.
Anteriormente, outros cientistas teriam concluído que o canto do galo líder suprimia por completo o dos subordinados.

Durante o dia cantam para se imporem perante galos que cantam noutros lugares, a qualquer distância, chegando a  formar um coro de vários galos cantantes.

Foi uma fracção de tarde calma, soalheira e toada em linguagem de galo.
Esperamos que a noite, na sequência, seja menos rude do que a anterior.


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quarta-feira, 8 de março de 2017

OITO DE MARÇO E A GOOGLE DOODLES



A Google Doodle é «uma alteração especial, temporária do logo na Google's homepage que se destina a comemorar feriados, eventos, realizações e pessoas. O primeiro Google Doodle foi em homenagem ao Burning Man Festival1998, e foi projectado por Larry Page e Sergey Brin para notificar os usuários de sua ausência no caso de os servidores caírem. Os doodles subsequentes de Google foram projectados por um contratante exterior, até Page e Brin pedirem ao interno Dennis Hwang que projectasse um logotipo para o dia de Bastille em 2000. Desde então, os Doodles foram organizados e publicados por uma equipe de funcionários chamados "Doodlers"» WIKIPÉDIA



Também hoje, para celebrar o Dia Internacional da Mulher, O Google está exibindo um doodle especial. O logótipo destaca algumas mulheres pioneiras que, (desde 1908), mais conhecidas ou nem por isso, lutaram por uma remuneração justa, melhores condições de trabalho e o direito de voto.

Dia internacional da Mulher 2017

O Google possui uma série divertida de doodles que exibe no lugar do logo do site de pesquisa em dias como o Natal, Carnaval, ano novo, feriados e aniversários.
Entre os muitos logo representados, tem constado um de parabéns também para mim. 

Feliz Aniversário Teresa!
Teresa (o último)

Como mulher e aniversariante assinalada faço, com simpatia, uma resenha de alguns dos muitos que têm sido exibidos.

Fernando Pessoa, 13 de julho de 2011, data em que faria 123 anos 
148 º aniversário de Wassily Kandinsky
Início do ano lectivo de 2015 (Canadá)
81 º aniversário da fotografia mais famosa do monstro de Loch Ness
85.º aniversário de Phoebe Snetsinger
241.º aniversário de Kamma Rahbek
Primeiro dia de primavera de 2016 (Hemisfério sul)
Dia dos avós de 2016 (Itália)
Seven Earth-size Exoplanets Discovered!
190.º aniversário de Sandford Fleming
250.º aniversário de Charles Macintosh
184.º aniversário de Louisa May Alcott

19.º aniversário do primeiro campeonato feminino de sepak takraw
Dia do Trabalhador de 2016

Festival das lanternas de 2016 (HK)

Dia do Pai 2014 (Taiwan)
60.º aniversário do Dia da Mulher
Natal de 2017 (Europa Oriental) – dia 1
Dia da Mãe 2014 (Internacional)
Dia da Criança 2014
Dia do professor de 2017 (Tailândia)
Carmen Miranda's 108th Birthday
Carnaval de 2017 (Brasil)
Celebração dos parques nacionais dos EUA
110 º Aniversário do eléctrico de Lisboa
50.º aniversário do Doctor Who



Um desfile divertido de criatividade...

Desde 1998 que o Google troca o Doodles/Logotipo para homenagear alguém ou alguma data festiva, oferecendo aos usuários do mundo inteiro uma pesquisa divertida, popular, cultural, abrangente, criativa e inovadora.


terça-feira, 7 de março de 2017

EM SALAMANCA


Dezembro, 30, 2016, foi dia de Cerdeira, uma Cerdeira desabrida, agreste, gelada, negativa (-2 graus). 

- Vamos rodar pela estrada para “aquecer”?
- É uma boa proposta; este frio carrancudo não cativa. Que tal ir saber como está o fim de ano em Salamanca? Falta pouco mais do que um nascer ao pôr-do-sol.
- Mas qual sol?
- Apesar de estas nuvens baixas e escuras estarem associadas a períodos de chuva de intensidade fraca e não o deixarem passar, ele está lá. Usar os termos “nascer-do-sol” e  “por-do-sol” é que poderá ser discutível, na medida em que é a terra que gira.
- Pois, mas se a hospitalidade aqui é assim, como será mais para o interior…
- É diferente. Os espanhóis são alegres e as ruas, de tão cheias, até ficam mais acolhedoras. Depois, há sempre bares e pubs abertos desde o meio-dia até à meia-noite onde se pode abancar um pouco para aquecer.
- Vamos, M?
- Preferia ficar à lareira e deitar-me cedo.
- Anda lá. Agasalha-te bem e vem quebrar um pouco essa rotina

O caminho é longo e o dia continua tristonho. Mas não chove.
Ciudad Rodrigo já ficou para trás; a E80, percorrida sem companheiros circulantes (gosto de outros carros por perto…) está a ficar mais curta.



Agora, atentos aos muitos radares (além dos radares fixos identificados com uma antecedência de mais de mil metros também existem brigadas de fiscalização para estradas especificas que, aleatoriamente, colocam radares e simulações identificados), segue-se em direcção à Rotunda Plaza de Espanha para começar o nosso itinerário pela famosa Plaza Mayor.

0h! Um carrossel em grande movimento. "Clic", já está.


A Plaza, um pouco mais à frente, lá estava, agitada, cheia de esplanadas coloridas, de portais (88 arcos em pórtico!) que dão seguimento a várias ruas, de rostos esculpidos relativos a várias gerações de história (desde Lord Wellington a Miguel de Cervantes) e de ondas sonoras reflectidas em italiano, inglês, português, alemão e outras de babélica origem.
Mas vale a pena ficar algum tempo a admirar tanta opulência. No Pavilhão Real da Plaza  há um grande arco que tem uma varanda com o busto de Felipe V, onde os Reis assistiam às festas taurinas e outras, que liga à Calle de Toro. O edifício, na fachada norte, tem dois andares de varandas com colunas coríntio  compostas e varandas rematadas por frontões. O conjunto também está rematado por balaustres com esculturas, três sinos e um relógio. 
O número de arcos é diferente em cada uma das fachadas. 
Majestosa!

Há realmente muito frio. A M. parece uma muçulmana a caminhar apenas com os olhos destapados…

Regista-se um primeiro momento com fotografias e seguimos depois para outros lugares do bairro histórico, por ruas de paralelepípedo.



Saindo por um dos portais, entra-se na Plaza del Corrillo, de data anterior à Plaza Mayor, onde se pode ver uma série de pequenas barracas com lembranças.
Alguns capitéis das colunas têm figuras de deuses mitológicos (planetas) que representam os dias da semana. A segunda-feira é uma Lua, a Terça-feira é Marte, a quarta é Mercúrio, a quinta-feira é Júpiter, a sexta-feira é Vénus, o Sábado é Saturno devorando os filhos e domingo é o sol.


Na Praça do Poeta destaca-se a escultura dedicada a Alberto Churriguera e a José del Castillo y Larrazabal, arquitectos que iniciaram as obras  da plaza Mayor e da Catedral Nova de Salamanca. Logo a seguir, está a Igreja de San Marcos em cuja fachada existe um relevo de São Marcos, sentado a escrever.



A igreja das Clerecías, um dos templos católicos mais importantes da cidade, fica em frente à Casa das Conchas (actualmente em restauração), um edifício invulgar decorado com milhares de conchas, símbolo do casamento (diz-se) entre duas famílias nobres.

Catedral de Salamanca  é um conjunto de duas catedrais, a Catedral Velha dos séculos XII e XIII e a Catedral Nova, uma construção do século XVI, erigida para a população que àquela data, aumentava aceleradamente. A Catedral Velha servia de defesa aos habitantes e o acesso é feito através da Catedral Nova. A Nova, de estilo gótico, renascentista e barroco, tem origem e cresce a partir da Velha, de estilo românico. Na fachada principal, com muitos detalhes, destacam-se as principais cenas do Nascimento e da Epifania e numa da naves laterais fica a Capela de San Martín ou do “azeite”, com pintura gótica e figuras que representam anjos, profetas e santos.

Em frente à fachada encontra-se a estátua do Bispo de Salamanca, Padre Câmara.

A cidade está repleta de igrejas magníficas e quase todos os caminhos levam a pequenas praças e igrejas, algumas tão sumptuosas como a de Santo Estêvão. 




O dia começa a escurecer, a M. diz estar cansada e com frio (apesar de bem agasalhada) mas é  imprescindível passar pela Cidade Universitária e ficar com uma imagem da noite iluminada pelas, ainda, luzes do natal.

Na Universidade de Salamanca, de estilo arquitectónico exclusivo do renascimento espanhol  (estilo plateresco) estudaram, entre outras figuras ilustres, o fundador da Companhia de Jesus, Ignácio de Loyola e o escritor Miguel de Unamuno. A fachada, rica em detalhes e figuras, tem também, uma rã minúscula que, segundo a tradição, dá sorte aos estudantes que a conseguem descobrir




A cidade tem um comboio turístico que faz o circuito do Bairro Histórico.



Uma chuva miudinha instiga-nos a procurar qualquer lugar ali por perto, de ambiente tranquilo e sossegado onde se pudesse relaxar um pouco os músculos, aquecer e comer qualquer coisa. 
Uma música de fundo suave e um agradável cavaqueio entre os clientes, convence-nos a entrar em La Dolce Vitamina, situado no centro de Salamanca. 


E pronto. 
Foi uma tarde diferente, passada em Salamanca, a “Mãe de Virtudes e Ciências”, o “Berço do pensamento” a “Cidade de arte, conhecimento e touros”, da dança e da música; uma cidade universitária, antiga, “dourada” (mais ainda se houvesse sol), linda e que, em época de aulas deverá ser também alegre, jovem e barulhenta.

De regresso a casa pelo mesmo trilho, agora iluminado e repleto de gente tagarela e sem frio, completamente alheia aos -3 graus, como demonstram algumas vestes de passeantes, até deu para concluir que o nosso "canto" não era tão inóspito como parecia.