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domingo, 8 de julho de 2018

PERCURSOS - TOLEDO



3 h 40 m (335,0 km) de EX-A1 e A-5 separam a minha aldeia, Cerdeira, de Toledo, capital da Espanha medieval até meados do séc. XVI e da comunidade autónoma de Castela-La Mancha, presentemente.


Andar por Espanha sem conhecer Toledo é perder a oportunidade de apreciar o cenário único de um conjunto de várias influências que aconteceram ao longo da história daquele País desde a origem de Toledo e da ocupação romana na região no século II antes de Cristo, até à passagem dos visigodos e dos árabes, à recuperação pelos espanhóis ou à cidade das três culturas, através de testemunhos monumentais  verdadeiramente notáveis.
Falar dela depois de a ter visitado, também não deixa de ser fascinante. Porém, porque tudo é considerável, faz-se apenas uma abordagem muito superficial de alguns lugares observados.

O Alcázar, o palácio de Carlos V, foi construído num dos pontos mais altos da cidade, ocupando o local onde antes existia uma fortaleza romana. Atualmente, abriga os escritórios do exército e um museu militar.

Ponte romana de Alcântara com 6 arcos assimétricos - entrada para a cidade

Situada numa colina sobre o rio Tejo, Toledo é uma histórica cidade-museu declarada Património da Humanidade em 1987. As suas muralhas abrigam uma riquíssima herança cultural, arquitectónica e artística proveniente das culturas muçulmana, cristã e judaica que ali conviveram em relativa harmonia deixando expresso um conjunto de influências medievais e renascentistas
As suas ruas estreitas e sinuosas entre casas, mesquitas, igrejas e sinagogas desordenadamente edificadas e bem conservadas são, por si só (para quem pode caminhar), um passeio inesquecível de história com mais de 2 mil anos. Parada no tempo, tranquila, limpa e cosmopolita é uma das cidades espanholas mais grandiosas em arquitectura. Foi ali que o grande pintor El Greco encontrou imaginação para retratar o místico e o religioso da época.

1- Sinagoga de Santa Maria la Plancha - Monumento Nacional
 2- Símbolos judaicos nas ruas onde residiram os judeus sefarditas, colocados pela comunidade judaica da Espanha

É na configuração urbana das ruas estreitas, tortuosas e compridas  que se refletem  as características da civilização muçulmana assim como na  Praça de Zocodover, de planta irregular construtiva, onde se concentra grande parte da actividade económica e social de Toledo

 Praça de Zocodover e Plaza Mayor de Toledo
                                                     Ruas de Toledo

A nossa "peregrinação", porque estava na hora do almoço, começou por procurar um restaurante típico numa das estreitas ruas, acessíveis à circulação automóvel, bem perto da Praça Zocodover - a gastronomia, em Toledo, oferece várias especialidades castelhanas.

Depois, porque não foi elaborado o itinerário, foi-se andando, um pouco à toa, vendo e fotografando, sem entrar em qualquer monumento (o tempo era escasso), entre as pequenas pausas necessárias.

Sempre a subir pelas estreitas ruas (acompanhados de algumas garrafas de água), foram-se descobrindo outras surpresas desde edifícios comuns a mosteiros, igrejas, sinagogas, museus, portas na muralha, miradouros deslumbrantes, artesanato, estátuas e miniaturas de D. Quixote/Sancho Pança em profusão, muitos restaurantes pequenos, uma babilónia linguística
 1- Casa de antiguidades 2- Museu de Santa Cruz 3- Janela
Miradouro del Valle e o rio Tejo (com alguns vestígios de uma antiga ponte?)
1- Ao fundo, a Igleja de Santiago del Arrabal do sec. XII, um dos mais belos monumentos mudejáres de Toledo
2- Torre da Igreja de São Tomé

A Catedral de Toledo, dedicada à Virgem Maria na Ascensão aos céus, estilo gótico de influência francesa (século XIII) tem as cenas da vida de Cristo esculpidas na pedra, que serviram de catecismo durante a Idade Média e é sede da Arquidiocese de Toledo

Algumas portas da muralha de Toledo
Mosteiro de San Juan de los Reyes, século XV, estilo gótico com influência espanhola

Lojas de artesanato

Escola de Arte - "perfectamente pensadas para la actividad docente" y diseñadas con meticulosidad para propiciar la concentración, sensibilización con las disciplinas de estudio y el mejor aprovechamiento de la luz.


1- Antigo Museu Nacional do Exército
2- Biblioteca de Alkazar, antiga residência dos Reis de Espanha

1- Alkazar é um palácio fortificado sobre a colina mais alta da cidade que domina o horizonte e toda a cidade. Construído pelo imperador Carlos V, é dos poucos edifícios sem grandes alterações desde essa data
2- Alkazar - fachada setentrional

… E muito mais haveria para ver numa superfície de apenas 232,1 quilómetros quadrados de área, com 83 459 habitantes (densidade: 359,6 hab./km² habitantes). Wikipédia, 2016.
Depois do Alcazar, porque visitá-lo é primordial, situado a 644 metros de altitude, só já permitia um bom relaxamento em qualquer sombra de esplanada a saborear um batido de frutos bem fresco e um expresso.

Era quase noite e o regresso a casa estava por fazer... um regresso que viria a ser bastante insólito. O GPS resolveu embrenhar-nos na Serra da Malcata por entre apertadas curvas e contracurvas, sem iluminação e sob um nevoeiro intenso, cerrado…
Uma aventura inesperada mas que, enfrentada com calma, também a sorte acabou por nos dar um “final feliz”.



quarta-feira, 4 de julho de 2018

O ENCONTRO






Hoje resolvi fazer uma surpresa à minha amiga I.M. que se enclausurou numa casa de repouso para, na altura, não se separar do marido “bafejado” por Alzheimer.

Foi há 14 anos que o Braemer, na Noruega, por entre braços de fiordes, cascatas e vilarejos nos aproximou, tanto na partilha de mesa, como nas conversas de bar, no deck ao sol ou nos mergulhos na piscina.

Lisboa tornou-se, depois, o ponto de encontro. 
Entretanto, A. adoeceu e I.M. ficou “prisioneira”, sem a colaboração de que precisava. Cansada e mais velha, optou por uma casa de repouso.

Menos frequente agora, o cavaqueio passou a ser lá. Até poderia não ser, sim. Porém, a I.M. começou a cegar e, presentemente, apenas me reconhece pela voz. O marido, “exonerado” pelos sentidos, já não caminha nem fala.

Diz-se que " Cada qual traça o seu destino de acordo com a sua vontade, os seus gostos, os seus ideais e os seus princípios morais.” Racional Superior - livro Universo em Desencanto

Não, ninguém acredita que a I.M. tenha escolhido aquele destino. A vida é mesmo feita de surpresas. Boas e más.
Fiel aos seus princípios, tem aceitado tudo estóica e resignadamente.

Mas hoje, a I.M. estava diferente – cansada, com edemas, parca nas palavras, apática, "desligada"...

“Só me apetece estar deitada. A Teresa desculpe”, disse.
“Prove um chocolate, I.”, retorqui ainda.
“Sim…”
Mas parte dele permanecia desfazendo-se entre os dedos de unhas bem cuidadas.

Talvez o destino lhe tenha traçado o fim da caminhada. Talvez não lhe ouça mais pronunciar o meu nome.

Ou talvez sim. Oxalá.


sexta-feira, 15 de junho de 2018

"DAR ESPAÇO"



Ser cruelmente
Indiferente
Exactamente
Simplesmente
Diferente

Não querer
Mais saber
O que fazer
Ou perceber
Um merecer

Só valorizar
E checar
O que interessar
Conservar
Pra continuar

Prioridade
À sinceridade
Cumplicidade
Verticalidade  
E singularidade

Segunda opção?
Não
A definição
Nesta aferição
É selecção






quarta-feira, 13 de junho de 2018

O CLIENTE



Era o que faltava o Estado não indemnizar o meu cliente”. “Isto não é a República das Bananas” (Celso Cruzeiro, advogado do ex-ministro do Trabalho e da Solidariedade, Paulo Pedroso).


O Estado português, por decisão do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem(TEDH), foi mesmo condenado a pagar 68.555 euros (503 euros/dia) de indemnização a Paulo Pedroso pelos quatro meses e meio que passou em prisão preventiva por causa do processo Casa Pia.
A Relação de Lisboa deu-lhe razão num recurso e mandou-o em liberdade mas foi acusado ainda de mais 23 crimes de abuso sexual. A acusação caiu na fase de instrução e não chegou a ser julgado. Porem, enquanto Carlos Cruz denunciado pela mesma vítima, foi condenado, Paulo Pedroso catapultou para funcionário do Banco Mundial em Washington.

A culpa é do Estado ou do MP? 
É dos cidadãos ou dos Magistrados? 
Da vítima e não do criminoso? 

Da República das Bananas é com certeza porque, insensível ao contribuinte, paga ao violador, à incompetência dos tribunais, aos Celso Cruzeiro e permite aplausos na Assembleia da República aos praticantes de actos indecorosos. 
  



 Veja-se um pouco do enredo desta novela:




Imagens  Google

quarta-feira, 6 de junho de 2018

A TERRA MUTANTE

O desaparecimento de 13 ilhas nos próximos 80 anos era notícia na revista “Volta ao Mundo”, do dia 2 de Junho

Há, com efeito, Lugares Fantásticos Ameaçados De Extinção.
Estima-se que cerca de 200 milhões de pessoas que vivam em regiões costeiras venham a sofrer com o aumento do nível do mar

O que se passa no planeta?

Ilhas Salomão
O arquipélago das ilhas dos corais naturais e dos negros loiros, no Sul do Pacífico, está a ser destruído pelo oceano. Segundo um estudo publicado pela revista Environmental Research Letters, só em 2016 desapareceram 5 ilhas.



Léon, um investigador de origem peruana, qualificou de "drástico" o sumiço de cinco ilhas com vegetação - Kale, Zollies, Rehana, Kakatina e Rapita - em poucas décadas, assim como a erosão em mais de 20% do seu território, noutras seis, das cerca de mil ilhas vulcânicas que formam o país. O estudo não registou mortes mas assinala que, em duas delas, a erosão produzida no litoral destruiu populações que datavam de 1935 obrigando  ao realojamento das comunidades locais.
Cientistas chefiados por Simon Albert, da Universidade de Queensland, referem que um dos factores que faz aumentar o nível das águas no norte das Ilhas Salomão é atribuído, em parte, ao degelo dos polos devido ao aumento da temperatura.

Outro factor regional apontado como causador do desaparecimento dos territórios é o dos ventos alísios "que sopram e acumulam água na parte oeste do Pacífico" e o das correntes “marítimas”.

Os recifes de coral podem ter os dias contados porque as águas, cada vez mais quentes, provocam a descoloração dos corais e uma subida de 2°C pode dissolvê-los. O aumento de CO2 torna a água dos oceanos mais ácida, tornando inviável o crescimento normal das estruturas calcárias.
Em menos de três décadas, na Grande Barreira do litoral da Austrália, já foram destruídos 50% dos corais  devido ao rápido desenvolvimento da costa onde estão a ser construídas plantas de gás natural, à pesca ilegal e ao aquecimento das águas.

Mas o fenómeno das Ilhas Salomão está a repercutir-se noutros lugares do Pacífico Sul (Kiribati, Vanuatu e Ilhas Marshall) que lutam pela sobrevivência das suas ilhotas, assim como em territórios do oceano Índico.

Maldivas
O arquipélago, no Oceano Indico, formado por 1.196 ilhas agrupadas em 26 atóis (203 habitadas com resorts de luxo e hotéis subaquáticos), começa a desaparecer. Segundo The World Bank, o país inteiro pode ficar totalmente submerso por volta de 2100. 
O nível dos oceanos já subiu cerca de 10 cm em todo o planeta desde o inicio deste século. Talvez  pareça pouco mas para os maldivos  significa a submersão de boa parte de seu espaço vital.

Palau
No pequeno arquipélago localizado no Sul do Pacifico, segundo um estudo publicado em colaboração entre o Palau National Weather Service Office e o Pacific Climate Change Science Program, o nível médio do oceano tem aumentado três vezes mais do que qualquer outra parte do globo. 


Micronesia
O país, formado por mais de 600 ilhas, localizado a 4023 quilómetros do Havai, no Oceano Pacifico, está lentamente a desaparecer. Segundo o Journal of Coastal Conservation, várias ilhas deixaram de ser vistas recentemente e outras estão a reduzir de tamanho.



Ilhas Fiji
Sem grandes elevações no terreno, são ilhas vulneráveis às mudanças do nível médio do mar e Vunidogoloa foi  a primeira cidade a realojar os seus habitantes



Kiribati
No centro do Pacifico, a ilha encontra-se fortemente ameaçada. O presidente da república afirmou que "o realojamento da população não vai ser uma questão de escolha, mas sim de sobrevivência" porque  o país deverá submergir até  2050 e já 
 adquiriu mesmo vários hectares num território pertencente às Ilhas Fiji.



Ilhas Cook
Estas ilhas, meio caminho entre a Nova Zelândia e o Havaí, consideradas pelos turistas como «o Havai de há 50 anos», também estão grandemente ameaçadas pelo oceano. A constante subida do nível médio do mar provoca danos nas estradas, pontes, portos e aeroportos, afetando os residentes e turistas.


Polinésia Francesa 
O jornal ambiental, Nature Conservation publica um artigo onde refere que mais de 30 por cento das suas ilhas poderão ser submergidas pelo mar até ao final do século. O governo está a planear a  construção de ilhas artificiais perto do Taiti para os habitantes
.



Seychelles
Situadas na costa este do continente africano, segundo um estudo publicado pelo Proceedings of the National Academy of Sciencies, as ilhas têm sofrido um aumento catastófico e a agência noticiosa do país sublinha que basta haver o aumento de apenas um metro do nível do mar para que as pequenas ilhas  desapareçam. 



Ilha de Tangier
Situada a cerca de 19 quilómetros da costa este do estado de Virgínia, só é  acessível por meio de barco ou avião. Tem praias naturais e ruas estreitas onde circulam imensas bicicletas e carros de golfe. Segundo o site Nature.com, desde 1850 que a ilha está a desaparecer (mais de 60 por cento) devendo ficar completamente submersa entre os próximos 25 - 50 anos.


Mas para os habitantes de Tangier, "apenas  será necessário mais um novo paredão"...
"Não queremos uma conta da luz mais barata, queremos ficar aqui" ( Deborah Pruitt, de 57 anos, funcionária no museu da ilha, onde notícias são exibidas na parede.)

Ilhas Marshall
Situadas entre a Austrália e o Havai, caracterizam-se pelo acolhimento dos seus habitantes e por barreiras de corais. Através de uma pesquisa feita pelo Marshall Islands National Wather Service Office e o Pacific-Australia Climate Change Science and Adaptation Planing Program, calcula-se que o nível do oceano suba cerca de 19 centímetros até 2030.



Shishmaref
A ilha, com apenas 650 habitantes, fica no Alaska e desde 1997 que tem vindo gradualmente a desaparecer (cerca de 30 metros de costa, segundo o Departamento do Interior dos Estados Unidos da América, irão  desaparecer totalmente dentro de 20 anos).


Limitei-me a abordar apenas algumas ilhas que estão a sumir-se sistemática e velozmente nalguns lugares do Pacífico e do Índico mas com o planeta numa constante e irreversível mudança, devido, segundo vários cientistas, quer a processos naturais  quer a processos decorrentes da acção humana, haveria que referir muitos outros locais  distintos:

floresta amazónica, conhecida como o "pulmão do planeta"  onde,  até 2030, a  desflorestação desmedida poderá destruir metade da sua área de cerca de 6 mil milhões de km²; 


A romântica Veneza que tem afundado lentamente devido ao deslocamento dos sedimentos da lagoa sobre a qual a cidade foi construída;


O Mar Morto que, perdendo em cada ano cerca de um metro no nível de água poderá secar totalmente nos próximos 50 anos devido ao consumo humano e aos novos resorts de luxo da Jordânia;  


Taj Mahal, ícone cultural indiano  do século XVII que demorou mais de 26 anos a ser edificado e que é visitado por 70 mil turistas diariamente, fechará  as portas ao turismo dentro de 5 anos por estar a ser afectado não só pelos altos índices de poluição da progressiva indústria indiana mas também por insectos atraídos pelo esgoto junto ao Taj Mahal, cujas fezes estão a manchar as paredes do monumento;


As plantações de amêndoas na Califórnia, de café no Brasil ou de arroz no Vietname, que têm sido atingidas por fortes períodos de seca;

As geleiras do Património Mundial da Humanidade que estão a desaparecer devido aos efeitos climáticos, como o Glacier National Park, nos EUA, onde, em 2010 apenas havia 24 das 150 existentes no século XIX, prevendo-se que em 2030 já nenhuma restará no parque.


O Instituto de Meteorologia Max Planck da Alemanha comprovou cientificamente, que o processo está sendo acelerado pela acção do homem.
O gás carbónico é o principal responsável pelo chamado "efeito estufa", que provoca a elevação da temperatura atmosférica e do planeta e a opinião geral dos oceanógrafos sobre o estado dos mares por volta de 2100, é a de que o nível das águas estará um metro acima do actual, levando inúmeras pessoas (cidades inteiras e partes de países) a deslocar-se. Miami, nos EUA, será uma das cidades perdidas.
A Península Antárctida é uma das regiões mais afectadas pelo aquecimento global - hoje há chuvas e ventos mais frequentemente.


Fontes:
- Comité de especialistas da Organização Meteorológica Mundial (OMM)
- FUTURANDO! Programa sobre ciência, meio ambiente e tecnologia, produzido pela redacção brasileira da Deutsche Welle, em Bonn, na Alemanha.
O programa é exibido no Brasil pelo Futura, Rede Minas, TV Brasil, TV Cultura, TV Câmara Tupã, TV Climatempo, em vídeos no Museu do Amanhã - Rio de Janeiro e em Moçambique pela Rede Tim
(Giro por um mundo transformado pelo clima)

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