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domingo, 17 de fevereiro de 2013

25 DE ABRIL,SIM. MAS OUTRO... - 2


No prosseguimento do tema do post anterior, outros itens de carácter geral:



- ECONOMIA

A economia cresceu fortemente sobretudo após 1950 e Portugal foi cofundador da EFTA, OCDE e NATO.
Ao assinar o tratado de Estocolmo, Portugal entrou para uma zona de trocas livres, sobretudo bens industriais, com alguns serviços sem pagamento de direitos aduaneiros. Houve benefícios em quantidade de novos mercados e em qualidade nas exportações - importante no sentido político, da internacionalização da economia e ajuda ao desenvolvimento.
Desde a década de 40 até à de 70, houve uma economia forte e saudável, com um crescimento sustentado dos maiores do mundo apesar de, durante esse mesmo período, ter uma organização institucional diferente das restantes economias da Europa Ocidental.


 

A diminuição do número de trabalhadores, devido aos depósitos dos emigrantes, não a afetou; manteve-se constante e os salários aumentaram cerca de 50%.
As pessoas poupavam e amealhavam.



Mas foi desbaratada.

Em 1985, com o tratado de adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia, Portugal recebeu elevados fundos destinados a ajudar o desenvolvimento e a estimular a economia, com a formação de novas empresas. Muitos desses fundos não foram bem geridos por alguns sectores empresariais, o que terá impedido um maior desenvolvimento do País nos anos seguintes à adesão.


Cavaco Silva, inquilino usurpador (porque introduzido mascarado duma falsa honestidade) do País durante quase 18 anos, lançou a primeira pedra para a situação catastrófica em que nos encontramos, alterando drasticamente as práticas da economia.



Excepcionalmente, até finais da década de 90 e princípio do século XX houve melhoria das condições de vida dos trabalhadores, com o aumento dos salários e uma maior estabilidade no emprego.

“A economia portuguesa registou a segunda maior recessão da sua história em 2012, com uma queda de 3,2% de acordo com o INE, encontrando um registo anual mais negativo apenas em 1975, com dados que não são inteiramente comparáveisPortugal esteve em recessão quatro vezes nos últimos dez anos e teve pela primeira vez dois anos de recessão consecutiva em 2011 e 2012.
Agência Lusa, 14 Fev. 2013 

Os pobres continuam pobres e os remediados empobrecem.


- GUERRA DE ÁFRICA/COLONIAL

Um império global implica a extensão da soberania de um Estado sobre territórios por todo o mundo. O primeiro império global foi o Império Português multicontinental, desde o início do século XVI (1415 - Ceuta) até 1999 (Macau) ou 2002 (independência de Timor-Leste).


Quando Salazar assumiu o poder, Portugal tinha fronteiras imperiais respeitadas internacionalmente. Para ele, era lógico defender intransigentemente as colónias “cobiçadas pela URSS através dos seus peões no terreno”, como fazendo parte do nosso território. E estava mesmo convencido que o ocidente “acabaria por reconhecer as vantagens…” (João Hall Themido).
A NATO funcionava como um refúgio dos ataques internacionais.
John Kennedy, adepto da descolonização e porque a Índia era importante para os EUA, quis negociar as províncias ultramarinas, propondo uma solução gradual.

"Portugal não está à venda"

A guerra colonial teve efeitos demográficos, económicos, financeiros e comerciais externos, diplomáticos e políticos.

A partir de 1962, Portugal ficou isolado na cena política, principalmente nas Nações Unidas. Os países do médio oriente, destinos de exportação, desapareceram das relações diplomáticas e comerciais

A sustentação da luta militar passou a exigir um esforço financeiro muito grande - exército, marinha, aviação, transportes, abastecimentos.

A mobilização de muita mão-de-obra, jovens em idade casadoira, diminuiu a natalidade e as famílias ficavam destroçadas por verem partir os seus filhos para longe, com regresso incerto.

Navio Niassa 

O dinheiro começou a deixar de ser usado no investimento de infraestruturas da Metrópole.


E se não tivesse havido ponte aérea?
"Espoliado" 
(...)
- É trapo da bandeira... e caravelas
Chegadas ao cais e arreadas as velas
Por ventos de Leste e… Alta traição!"

Foi atribuído um total de 3.209.540 contos de subsídios de desemprego e 348.257 contos de abonos de família.

A Guerra de África tornou-se a motivação dominante do MFA para conceber e preparar um golpe de Estado contra o regime.


E poderia continuar a dar incremento a outros itens (de ANTES e DEPOIS) como:




CRIMINALIDADE 
IMPUNIDADE
REINCIDÊNCIAS 
DINHEIROS PÚBLICOS 
PESSOAS (IN)COMPETENTES

Etc.


- TRINTA E NOVE ANOS DEPOIS 




O País está empobrecido, a classe média quase desaparecida, o desemprego situado na 3.ª maior taxa da EU (Eurostat), o salário mínimo ( 485),com tendência para baixar, o salário máximo (Fernando Pinto, por ex., presidente da TAP, recebia em 2010 à volta de 30 mil € brutos/mês) não tem limite, as promessas são arquitectadas em mentiras, os casos judiciais prolongam-se no tempo, a podre política é sustentada pelo poderio económico, o compadrio é cada vez mais exagerado, o 1.º ministro convida à emigração, a comunicação social trabalha para os lobbies financeiros e para o domínio político. Vamos tendo melhores cuidados de saúde mas não podemos pagá-los…

As medidas de austeridade continuam, as falências e privatizações criam oportunidades de negócio e os gestores dos bancos recebem da mesma maneira os seus elevados ordenados, acrescidos de bónus por gerirem a crise.

E haverá mesmo liberdade de expressão?

O cidadão passou a escolher o seu governo e existem sindicatos; mas onde estão as vantagens?

Estaremos contentes com esta democracia?

Somos sobretudo uma potência atlântica, presos pela natureza à Espanha, política e economicamente debruçados sobre o mar e as colónias"
vidas lusófonas

"(...)
Nem a favor da Grã-Bretanha, nem a favor da Alemanha, mas só a nosso favor”, era um dos pilares de sustentação do regime e uma justificação para a sua neutralidade durante o conflito, assim como para a exclusão deliberada e desejada por Salazar, do Plano Marshall. Paradoxalmente, seria a guerra anacrónica de sangues locais e metropolitanos que levaria ao colapso do regime em 1974…"
blog-Viriato à pedrada

Quando Marcello Caetano chegou ao Poder, já tudo se encontrava demasiado enfraquecido, sem hipóteses de êxito na construção de eventual solução política. Logo, o caminho para o golpe militar foi rápido, a vitória facilmente vitoriosa e a descolonização apressada.

Apesar de tudo, além do fim do conflito ultramarino esperava-se muito mais da revolução; as pessoas aderiram sem reservas aos ideais do Movimento das Forças Armadas.


E o sonho europeu também ameaça desfazer-se.

Imagens Google

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