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segunda-feira, 28 de julho de 2014

A MOSCA / MOSCAS



Não era "A Mosca Azul" de Machado de Assis, símbolo das ilusões e das fantasias, que podem ser contempladas e vividas mas não analisadas e dissecadas.
Não, não era...
“...uma mosca azul, asas de ouro e granada,
Filha da China ou do Indostão.
Que entre as folhas brotou de uma rosa encarnada.
Em certa noite de verão.
E zumbia, e voava, e voava, e zumbia,
Refulgindo ao clarão do sol
E da lua, - melhor do que refulgiria
Um brilhante do Grão-Mogol…”

Era uma mosca incómoda, teimosa, chata, que insistia em pousar no vistoso cacho de uvas brancas, frescas e doces, ali posto para me deliciar.

Uma mosca doméstica, muito certamente...



Mas como sou rica em anos, vou atribuir-lhe o tradicional significado de “sinal de longevidade” que esta “dança” dizem querer transmitir.  


As moscas (e os mosquitos) integram a ordem Díptera ("duas asas”) e estão divididas em cerca de 150 mil espécies, como a mosca-varejeira, a mosca-das-frutas, a mosca-caçadora, mosca Tsé-tsé, mosquinhas ou mosca da banana,  mosca do chifre, mutuca de cavalo, mosca do figo, mosca-branca, mosca negra dos Citrus, etc. 





A mosca-doméstica, uma das mais comuns no mundo, está activa durante o dia e dorme à noite, em frestas e pequenos buraquinhos.

Pertence à classe o picadora, de tromba mole, do tipo lambedor.
Os ovos, brancos e alongados, medem menos de 1 mm. São colocados pelas fêmeas em locais húmidos e sombrios, em qualquer matéria orgânica fermentável como lixo, esgotos, aterros sanitários, etc.
As moscas, antes de ganharem asas e voar, passam por uma grande metamorfose de três fases - ovo, larva e pupa. Em 5 a 8 dias ficam adultas, com 5 a 8 milímetros de tamanho e 30 gramas de peso.
Têm um período de vida de cerca de 30 dias.Outras não chegam a viver mais do que 24 horas - geralmente elas nascem de madrugada e durante o dia aproveitam para se reproduzir acabando por morrer na noite seguinte.
Alimentam-se constantemente, digerindo uma grande variedade de substâncias animais e vegetais, sobretudo açucaradas. Sem dentes para mastigar, elas têm truques; antes de ingerir o alimento, depositam nele uma gota de saliva para o dissolver, sugando-o em seguida; ou então vomitam-no e voltam a ingeri-lo mais amolecido.
Como vivem na imundície, são transmissores de doenças ao ser humano.

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Limpeza


Por incrível que pareça, as moscas têm cuidado com a higiene. Esfregam as patas constantemente para manter limpos os pêlos receptores dos aromas e sabores com que farejam os alimentos preferidos. Utilizam as patas centrais e traseiras para limpar o corpo. Depois, usam as duas patas da frente para o que falta. Por fim, esfregam os membros anteriores um no outro e podem ainda utilizar a boca.


Parece haver provas de que as moscas surgiram no Oriente Médio, no tempo dos dinossauros, há cerca de 65 milhões de anos e que foram seguindo os homens nas suas viagens pelo mundo.
Têm os olhos grandes e multifacetados, formados por milhares de lentes, que lhes permitem ver praticamente em 360 graus, motivo pelo qual se torna difícil capturá-las.
Atingem a maturidade sexual assim que viram adultas. Normalmente, as fêmeas só acasalam uma vez, mas armazenam espermatozoides para pôr ovos várias vezes. Ao longo da vida, uma única mosca pode colocar até 900 ovos.
Durante o voo, batem as asas 330 vezes por segundo - quatro vezes mais do que o beija-flor, o pássaro campeão nesse requisito. Possuem ainda um segundo par de asas, menos desenvolvido, para as manobras aéreas e para estabilizar o voo.

O aparelho bucal de algumas moscas como as mutucas, as moscas-de-estábulo ou as moscas-de-chifre, possui modificações pontiagudas que picam e perfuram a pele dos seres humanos ou de animais para lhes sugar o sangue.

E as "moscas da política e não só" muito mais incomodativas - no governo, na Assembleia da República, nas Empresas Públicas, nos Comentadores, nos Sindicatos, na Saúde, na Justiça, em qualquer programa musical de TV, no Desporto, na área Militar, na Arquitectura, na Pintura - que, pelas suas características, poderão ser incluidas nestas últimas
Sempre as mesmas caras …apenas com espaço para uma "renovação" plagiada no prolongamento dos tentáculos da corrupção.



Solução à vista: desenhada por Rafael Bordalo Pinheiro, numa página d’O António Maria de 1892. 



Imagens Google

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